Coluna ‘Enfim, Sós’ – Rio 2016: eu queria?

16 10 2009

Rio2016Olá amiguinhos voyeres! Depois de mais uma semana sumida, estou de volta ao posto de Destiladora de Venenos, até porque desse osso eu não largo nem ‘podendo’.

Os motivos do sumiço são os de sempre: muito trabalho, pouco sono, nenhum dinheiro… Enfim, já que papai do céu não me fez assim, tenho que correr atrás do jeito tradicional, né mesmo?!

Bem, fiquei em dúvida sobre o que escrever nesse post até porque meu maridinho Ogro tem se comportado como um lord inglês desde minha recente convalescença. Essa semana, então, ele foi especialmente romântico porque comemoramos nosso aniversário de um ano de casamento. Portanto, estou sem histórias recentes pra contar.

Decidi, então, aproveitar para comentar aqui o último post do Leonardo sobre as Olimpíadas 2016, já que esse assunto gerou tanta controvérsia entre meus amigos.

Confesso que até minutos antes do resultado sair, eu não conseguia decidir se torcia ou não para o Rio ser escolhido sede. Não me levem a mal, é lógico que queria que a minha cidade recebesse todo aquele investimento, tinha até esperança do Rio ser a próxima Barcelona, que foi totalmente revitalizada e até hoje colhe frutos dos investimentos feitos durante as Olimpíadas de 1992. Mas ao mesmo tempo eu não podia deixar de ouvir o diabinho venenoso que soprava no meu ouvido me lembrando o que pode acontecer com todo aquele dinheiro: ta lá o elefante branco da Barra da Tijuca pra mostrar do que a prefeitura carioca é capaz.

De qualquer maneira, no dia da decisão eu lembro de me sentir um etezinho no meio dos meus colegas de trabalho que se apinhavam em frente à televisão torcendo pelo Rio com toda a convicção. Mas a sensação não durou muito tempo, bastou passar aquele vídeo lindo da nossa candidatura pro meu coração carioca falar mais forte e eu começar a torcer junto com a galera. Que eu podia fazer? Brasileira que sou não resisto a uma final verde amarela.

Quando aquele gringo esquisitão virou o cartãozinho e falou ‘Ruîo de Jãneiruo’ vibrei e pulei junto com todo o escritório, Paul Rabbit e Lulinha Maravilha. Quem diria! Euzinha defendendo a mesma causa de Eduardo Paes e Sérgio Cabral… Nunca digam nunca, amiguinhos.

Enfim, a moral da história é que estou feliz pelo Rio ter conquistado essa oportunidade e fiquei mais confiante ainda depois de ver as fotos do projeto de preparação da cidade. No papel está tudo muito bonito e é reconfortante saber que temos a Prefeitura, o Governo do Estado e a Presidência da República aliados para o mesmo fim. Só espero que até lá essa união dure,  até porque ainda temos 7 anos pela frente e um histórico centenário de promiscuidade política.

Boa sorte para nós cariocas… com certeza iremos precisar!





Ser ou não ser do país dos contrastes?

7 10 2009

rio_2016O Brasil realmente é um país estranho… Ou eu é que sou um brasileiro estranho… Acho que nenhum outro país seria capaz de, no mesmo dia, me fazer sentir vergonha e orgulho da minha terra.

A semana passada foi uma dessas semanas em que meus sentimentos patrióticos foram levados aos seus extremos (tanto negativos, quanto positivos). Primeiro foi com a prova do ENEM e o fiasco da falta de segurança para a estreia de um novo sistema de ingresso às universidades que promete substituir o vestibular. Mas, se de um lado minha indignação era total; de outro, eu pensei sobre como foi bom o fato vir a público e como o ministro da educação agiu de maneira rápida e correta pra evitar maiores danos. Algumas décadas atrás seria tudo abafado e, se algum jornalista metido a besta ameaçasse denunciar, certamente sofreria um acidente fatal… É claro que o mérito nessa história toda é dessa classe de profissionais chatos que vivem importunando todo mundo e que (apesar de ainda sofrerem com a censura) são grandes responsáveis por este país estar se tornando um lugar sério.

E quando minha vergonha de viver em um país que não consegue dar segurança adequada nem para o primeiro ato da grande revolução da educação estava quase desaparecendo, um tiozinho lá na Dinamarca abre um envelope e pronuncia, com aquele sotaque gringo super divertido: “Rio de Janeiro”. Como não me sentir orgulhoso por viver no país onde fica a Cidade Maravilhosa? Que o Rio de Janeiro merecia isso ninguém discute: praias, Cristo Redentor, Pão-de-açúcar e eu vou parar de listar esses pontos turísticos comuns porque com certeza há muitos outros lugares lindos nessa cidade. Meu carinho pelo Rio, contudo, é um pouco mais pessoal, gosto dessa cidade não pelas suas belezas naturais, mas por alguém de quem eu gosto muito que nasceu e vive lá e que me faz acreditar que o povo do Rio é assim, divertido, meio neurótico, bastante culto, um pouco estressado, bem-humorado, crítico, amigável e muito, muito especial. E pra mim o Rio é isso: a cidade da Tati. A cidade que vai representar o meu país em um evento mundial e que, com certeza, vai me encher de orgulho por ser brasileiro.

Entretanto… No país dos contrastes, os sentimentos contrastantes me fazem lembrar que com Copa do Mundo e Olimpíadas muita festa e muita grana vão rolar… A festa a gente fará (vamos beber até cair e prometemos não dirigir depois!), mas a grana, baseado no histórico dos fins que leva o dinheiro público, como ficará?