Coluna ‘Enfim, sós’ – O apagão divino

13 11 2009

apagãoPois é, amiguinhos voyeres, eu estava sumida… Mas a culpa, como sempre, é da ‘mardita’ rotina corrida que nem me deu trégua para agradecer propriamente o melhor presente de aniversário que eu ganhei em muito tempo…
 
Pra vocês terem uma ideia, foi necessário faltar luz em 70% do Brasil para eu conseguir ter uma noite de sono tranqüila… Ou quase isso. Já me ‘exprico’! Antes, momento ‘mela-cueca‘:

Um muuuuito obrigada para meu companheiro de destilaria de venenos por todo o carinho que ele tem me dado desde sempre. Tenho muita sorte por ter o Leo na minha vida, gente. Ele é a única pessoa capaz de me acordar antes do meio dia de domingo e me deixar de bom humor! Meu marido Ogro tem tentado há anos e nunca conseguiu essa proeza… Enfim, eu amo muito esse menino!

Agora que já falei o que estava entalado desde o dia 31, deixa contar do apagão que papai do céu mandou pra mim… Sim, gente! Tenho certeza que aquele ‘probleminha’ em Itaipu foi um presente divino.

Eu trabalho numa agência de comunicação e, ‘voltimeia’ aparecem jobs pra ontem que me obrigam a passar noites em claro para entregar no prazo. Não estou reclamando… Até porque meu chefe pode ler isso… Mas, apesar de amar o que eu faço da vida (viu chefinho?), às vezes nem com K.Y. eu agüento a trolha!

Enfim, estava eu em casa com a perspectiva de uma noite em claro pela frente, quando papai do céu, compadecido com minha situação, resolveu me dar uma folga. O problema é que ele pesou a mão, né?! Podia, pelo menos, ter dado uma aliviada no tempo antes de desligar a tomada do país… Êta calor dos infernos!

Brincadeiras à parte, é impressionante como a cidade ficou vulnerável. Sei que o apagão aconteceu quase que no país inteiro e também no Paraguai, mas o Rio de Janeiro ficou especialmente caótico. Foi meio triste ouvir no rádio os locutores pedindo pras pessoas permanecerem em casa porque a rua estava muito perigosa, com arrastões e roubos por toda parte. Sem falar na declaração de nosso digníssimo (not!) prefeito sobre ter acionado o BOPE para botar ordem na bagunça.

No meio da confusão toda, pelo menos muita gente manteve o bom humor na internet.  Mas a melhor, sem dúvidas, foi a declaração de um repórter do ABC paulista que contava a situação das ruas da região: “aqui está tão escuro que a Geise podia andar sossegada, ninguém da Uniban ia conseguir ver o tamanho do vestido dela”.

Seria cômico, não fosse trágico.

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Coluna ’Enfim, sós’ – Ogro mecânico

24 09 2009

Metido a mecânicoÉ gente, to de volta depois de um tempinho de molho por causa de uma gripe safada que não queria largar do meu pé (não, não era a suína). Só demorei para dar notícias porque esse tempo que fiquei dodói afetou um pouco meu ritmo, ta sendo difícil sair da inércia e voltar para correria do dia a dia. As 24 horas que já não davam para porra nenhuma, agora dão para menos ainda.

Mas é assim mesmo, quando aquele padre irlandês despirocado interrompeu o maratonista brasileiro na olimpíada, demorou para a um kct até ele recobrar o ritmo das passadas. Eventualmente, eu também volto ao normal, só vou tentar cuidar mais da minha saúde dessa vez e não deixar cair o tempo do meu sono de beleza. Viu Leozinho? Aprendi minha lição!

Anyway, vou aproveitar a falta de histórias atuais (até porque meu Ogrinho está com moral em alta por ter cuidado de mim na convalescência), para relembrar pérolas antigas. Outro dia, quando estava revendo minha lista de pendências (entre elas, consertar o ventilador de teto), lembrei de uma história engraçada relacionada a uma característica comum não só aos ogros, mas também à maioria dos homens: excesso de confiança nos consertos domésticos. Eu queria saber quem foi o imbecil que os elegeu mecânicos, eletricistas e bombeiros hidráulicos natos?

Não me levem a mal, claro que existem seres do sexo masculino bastante capazes nesses servicinhos do lar, meu irmão é um bom exemplo disso. Mas não é porque alguns conseguem bons desempenhos que isso se torna uma característica intrínseca ao cromossomo Y. O problema é que a grande maioria dos homens cisma que é uma ofensa à sua masculinidade se você insiste em gastar dinheiro para instalar uma porta sanfonada ou prender uma cortina…

Foi isso o que aconteceu na minha história, meu ogrinho chamou seu pai e sua furadeira elétrica para uma tarde de ‘silviços’ e consertos no nosso apartamento. Cabia a mim, a fêmea, agilizar o rango e não atrapalhar, é claro.

Resolveram começar os trabalhos pela cortina e logo vieram as discussões. Algumas horas, rosnados e palavrões depois, me chamam para ver o estrago resultado. Não vou nem entrar no mérito da cagada que fizeram em todo o quarto (e que ia sobrar pra quem limpar?), mas além dos quatro furos necessários para prender a bendita cortina, eu contei mais 3 (todos tapados com pasta de dente). Além disso, eles erraram feio em alinhar a cortina com a janela (a parede estava mais coberta que todo o resto) e, provavelmente, não tinham a menor ‘loção‘ do que se trata uma linha reta. A minha sorte é que a coisa toda desabou duas semanas depois e tivemos de chamar um técnico para fazer direito (papai do céu é bom comigo).

Depois do almoço foi a vez da porta sanfonada. Resolvi ficar mais próxima dessa vez, olhando de rabo de olho. Como o serviço demorou muuuito mais que o anterior, acabei me distraindo, mas a imagem do meu sogro com uma serra nas mãos chamou minha atenção novamente. Assim que bati o olho entendi o problema: eles não estavam conseguindo encaixar a porta porque estava tudo de cabeça para baixo. A solução deles? Resolveram serrar a porta, lógico! Eles não podiam estar errados, o produto é que tinha defeito… Foi preciso a intervenção da loira burra aqui para a porta sobreviver aos marmanjos barbados.

É… Até hoje eu suo frio toda vez que meu ogrinho encosta na caixa de ferramentas. Quando meu sogro chega lá em casa com a furadeira, então… Só Jesus.





Coluna ‘Enfim, sós’ – Uma vez Flamengo, sempre flamengo?

28 08 2009

Flamenguista doenteNo meu último post, falei o quanto me incomodava conviver com algumas raças de seres vivos, entre eles, os ‘fanáticos’ de todas as variações. Acabei me alongando ao descrever a espécie ‘fanaticus religiosus sp’ e acabei por negligenciar a variação que mais afeta a minha vida: o ‘fanaticus poresportis sp’, mais especificamente a sub-raça ‘ogrus flamenguistas’.

Na verdade, eu tenho uma teoria que o cromossomo Y carrega consigo alguns genes tipicamente masculinos, como o da palhaçada, do machismo, da preguiça, da bagunça e, é claro, o do fanatismo por esporte. É evidente que esses genes podem ser recessivos ou dominantes, depende muito de como são estimulados no decorrer da vida.

Acontece que a sub-raça ‘ogrus flamenguistas’ traz consigo a forma mais dominante do gene do fanatismo por esporte. E adivinhem, amiguinhos voyeres?! Meu marido Ogro sofre desse grave problema genético.

Vocês não têm idéia o quanto eu sofro com isso! Morro de medo de passar esses genes adiante, imagina se meu filho Ogrinho nascer com esse problema?! Tem noção que minha casa vai se tornar um pântano vermelho e preto? Cruzes Credo, Deus me livre, Isola!!!

Mas voltando ao meu atual martírio, as crises de fanatismo são tão grandes que eu to até com medo de tomar ódio do meu ‘póprio’ time, o flamengo. Pra vocês terem uma ideia da gravidade dessa doença, vou contar sobre a primeira crise acontecida em público: a final da taça Guanabara – flamengo x botafogo.

Estávamos passeando na Lagoa Rodrigo de Freitas com alguns amigos, minha filhinha canina, minha mãe e minha sogrinha, quando notei a inquietação do meu Ogrinho. Ele olhava o relógio muito aflito e não sossegou até pararmos em um quiosque para esperar o jogo começar. Todos estávamos rindo e curtindo a tarde, quando meus amigos notaram que o botafogo tinha feito dois gols em cima do flamengo. Daí, danou-se! Sacanearam o Ogro o que podiam e o que não podiam. O mais surpreendente pra mim foi vê-lo quietinho, sem nada responder.

Pois bem, um tempinho depois, todo mundo estava mais bêbado e tinha esquecido totalmente do jogo, quando o flamengo conseguiu, magicamente, dar uma coça no botafogo. A cena que descreverei a seguir é forte e chocou todos os presentes não só na mesa, ou no quiosque, mas chegou também a parar alguns corredores, dois velhinhos que tomavam picolé, fez a nossa filhinha canina uivar e duas criancinhas chorarem. Eis a seqüência de atos do Ogro:

– Urrou: É gol, porra!
– Chutou a cadeira que estava na sua frente
– Socou peito três vezes
– Mostrou os dentes

– Derrubou as latinhas vazias da mesa
– Socou o peito de novo

– Grunhiu
– E ameaçou nossos amigos:
Fala agora, porra! Fala agora!

O que eu fiz? Perdoei lógico, afinal de contas, é patológico, tadinho!





Coluna ‘Enfim, sós’ – Va fa Napoli!

21 08 2009

Fuck you and have a nice day!Essa semana, estava eu linda, loira e fagueira no salão aparando minhas garras fazendo minhas unhas e lendo uma revista, quando me deparo com uma reportagem sobre uma pessoa tão funesta, que consegue reunir todas as características que mais desprezo em certos tipinhos da espécie humana. O pior é que essa história causou tanta revolta ‘ni mim’ que decidi fugir um pouquinho do tema da minha coluna para falar sobre os tais tipinhos que me causam tanto sofrimento quanto ouvir a voz ‘sotaquenta‘ da Naiá do ‘Bîguîbródere’. Vejam a lista abaixo e me digam se tô errada:

Intelectualoides: em geral, são aquelas criaturas que se vestem com roupas de hippies, usam cabelo de hippies, óculos de hippies, mas moram na zona sul do Rio de Janeiro, têm apêzinho ‘póprio’ e dinheirinho do papai no bolso. Eles também costumam adotar trejeitos do o sexo oposto. Se forem machos, cruzam as pernas ao sentar e, se forem fêmeas, sentam de pernas abertas. O que mais ‘mirrita’ nesse povo não é esse jeito de ser paradoxal até porque, ‘e o kiko’?! O que acaba comigo ‘mermo’ é a mania presunçosa que eles têm ao fingirem que não estão ouvindo quando a gente fala com eles e de acharem que são os ‘sabetudo’ de política, economia, ciência e cultura. Experimenta discordar deles! Você logo vira um burguês bitolado, adorador de ‘enlatados americanos’. Dá vontade de falar ‘Caguei pro Sarney, Lula e Collor, isso é tudo reprise. Quero mais é que a nova temporada de House estréie logo!

Fanáticos: gente, to tomando pavor desse povo, pouco importa as variações. Sejam eles fanáticos por esportes, celebridades, videogames, ficção científica ou religião, o fato é que são todos chatos pra ‘cagalho’! A última espécie, particularmente, me desagrada em maior intensidade. Quando eu me deparo com um ‘irmão’ que resolve colocar a rádio evangélica pra tocar no celular ou mp3, sem fone de ouvido, num metrô lotado de gente, eu tenho vontade de arrancar meu braço só pra ter alguma coisa pra jogar nele. E quando eles resolvem te convencer que você tá vivendo em pecado…. ‘Mermão’, só Jesus!

Homofóbicos e machistas: Meu problema com esse povo é fácil de entender, né não? O pior é que a culpa é nossa… Isso mesmo, meus amiguinhos voyeres, nós somos tolerantes demais e eles são nada mais do que fruto da nossa sociedade escrota, machista e preconceituosa. Ok, ok… To falando sério demais e aqui não é lugar pra isso, mas me mata saber que tem gente nesse mundo que acha que gay é promíscuo e merece levar porrada e mulher boa é aquela submissa, fútil, gostosa, acéfala e que aceita ser corneada sem troco. Aliás, se eu descubro que meu Ogrinho andou urrando fora do meu território, esse caso aqui vai ser pinto perto do que eu sou capaz de aprontar (reparem bem na cara da cúmplice, amiga da mulher traída… Essa é das minhas!).

Pros curiosos que ainda estão se perguntando que ‘cagalhos‘ de reportagem foi essa que causou esse ataque de perereca todo e quem é esse ‘serumano‘ que não devida estar respirando, vou deixar que vocês leiam a reportagem e tirem suas ‘póprias concrusões‘.

Já ‘Ishpiou‘ o link? Num ‘guentô‘ de curiosidade, ne não?! Pois bem, dá ou num dá vontade de ligar pra vaca só pra dizer:





Coluna ‘Enfim, sós’ – Visita da minha filha canina

29 06 2009

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Além de estar contando os dias para a volta da minha faxineira, também estou contando os dias para visita da minha filhinha canina. Ela vai passar 15 dias lá em casa enquanto minha mãe faz a viagem dos meus sonhos: Paris!

Quando me casei e mudei, deixei na casa da minha mãe meu tesouro de quatro patas. Meus planos eram levá-la comigo, mas a veterinária proibiu. Realmente seria uma sacanagem tirá-la de uma casa com quintal pra colocá-la morando em um apartamento pequeno, sem falar na paixão arrebatadora que ela sente pela minha mãe (separá-las ia ser ‘uó’).

Nunca esqueço de como eu ganhei a Nina Maria (sim, o nome da minha filha é composto, ela é muito chique, ta?!). Meu vizinho / amigo de infância tinha uma daquelas cadelas vira-latas bem piranhas, sabe? Por mais que ele a prendesse, não tinha jeito, ela pulava o muro e estava sempre prenha. A minha bonequinha veio, literalmente, de uma dessas puladas de muro. Muito puto da vida, ele acabou me convencendo a pegar um filhote da ninhada de 9 cachorrinhos que tinha nascido.

Depois de três meses necessários para desmamar, lá fui eu buscar meu filhote prometido. Tinha escolhido um macho branquinho, todo bonitinho, mas quando cheguei na casa do meu amigo, mudei de idéia ao ver a vira-latinha tricolor bagunceira que tava perturbando os outros filhotes. Não tive dúvidas, resolvi levá-la no lugar do branquinho.

Impressionante como a gente se apaixona loucamente por eles. Nem meu Ogro resistiu aos encantos de Nina Maria. Na primeira ida ao veterinário, ele foi comigo (a levamos dentro de uma caixinha de sapatos). A recepcionista começou a preencher o formulário, perguntando: ‘Qual é o nome da mãe?‘ Eu falei: Tati. Depois, ela perguntou:  ‘E o nome do pai?‘ Ele respondeu prontamente: Ogro.

Hoje em dia, Nina Maria tem 3 anos e é a vira-lata mais perua que existe. Já aprontou tanto quanto o Marley quando era mais novinha, mas hoje, além de algumas rebeldias, se comporta como uma lady. Mas também sempre foi tratada com todos os dengos: come das melhores e mais caras rações, faz unha e cabelo no pet-shop de 15 em 15 dias, tem visita periódica da veterinária e tem tanto brinquedo quanto muita criança por ai.

Às vezes acho que nossos cuidados com ela beiram a frescura, por exemplo, meu pai quer mandar colocar redes de proteção na nossa área de serviços, pra ela não se jogar lá de cima nos 15 dias que ficará conosco. Detalhe: Nina Maria tem o porte de um poodle pequeno e o muro da minha área bate na altura do meu peito (tenho um 1,70m).

O pior é que não tenho moral pra reclamar, porque eu mesma exagero (a maioria dos brinquedos dela fui eu que dei =D )… Mas que eu posso fazer? Sou louca pela minha filhinha canina.





Coluna ‘Enfim, sós’ – Como educar um Ogro

22 06 2009

ogro

Ofereço o post de hoje para minhas amigas voyeres que tanto se revoltaram com o meu último desabafo ‘Amélia é que era uma fdp’. Elas me inspiraram a fazer um tratamento de choque com meu marido Ogro para ele começar a dividir comigo as tarefas do dia-a-dia.

A experiência rendeu um aprendizado grande na arte de como lidar com Ogros. Por isso, achei importante dividir o que aprendi com as minhas amigas voyeres que sofrem com os mesmos problemas. Organizei aqui o conhecimento adquirido em 3 dicas que ajudarão vocês a educar seus Ogrinhos em casa:

Dica nº 1 – Seja franca, divida sua insatisfação:

Os Ogros são criaturas perfeitamente capazes de entender nossa angústia, o problema é que eles não são muito sensíveis. Nunca espere que eles ‘percebam’ por conta própria que há um problema. Você precisa falar, com todas as letras, o que a está chateando, se necessário desenhe.

Dica nº 2 – Faça o Ogro se comprometer:

Não adianta apenas fazê-lo entender o problema, é preciso conseguir que ele se comprometa a colaborar. Cuidado para não ser enrolada, eles conseguem mudar o foco com muita facilidade. Minha experiência pessoal diz que contrato oral não adianta, meu conselho é fazê-lo assinar um termo de compromisso (a digital do polegar direito já é suficiente).

Dica nº 3 – Ameace:

O Ogros são criaturas volúveis e manipuladoras. Eles mudam com facilidade promessas e conseguem argumentos que defendam sua preguiça. Não adianta mostrar o termo de compromisso assinado (ajuda, mas não adianta). Por isso, não meça as ameaças. Use todos os recursos de sua mente venenosa. Vale tudo nessa hora, mas, pasmem, a ameaça que tem melhores resultados é a greve da Amélia na hora do almoço: se recuse a fazer qualquer coisa se ele não levantar a bunda do sofá. Se possível, faça exatamente o que ele estiver fazendo (se ele estiver assistindo o futebol, abra uma cerveja e assista junto com ele). Largar calcinhas do mesmo modo que eles largam as cuecas funciona muito bem também.

Por fim, se nada disso der certo, faça o eu fiz nesse final de semana: arme um barraco daqueles. Desça do salto sem dó nem piedade (eu joguei na pia a macarronada que estava servindo na mesa). E se eles te mandarem para a pqp, siga o conselho e vá para casa da sua mãe. Garanto que quando você voltar, estará tudo limpinho esperando por você.

E o Ogro? Devidamente adestrado e morrendo de medo da esposa enlouquecida.





Coluna ‘Enfim Sós’ – Amélia é que era uma fdp!

17 06 2009

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O novo post ‘Machismo na França, escrito pela nossa correspondente venenosa, Amanda, em seu blog ‘Petit Journal de la Porte Dorée’, me causou insônia ontem. Na verdade, o que aconteceu foi que durante todo o dia agitado que eu tive ele ficou guardadinho no meu inconsciente e só se manifestou no momento em que eu deitei minha cabecinha linda e loira no travesseiro.

Foi naquele momento que as declarações ‘os homens franceses fazem tarefas domésticas… Eles limpam a casa, lavam a roupa, fazem comida, tanto quanto a mulher’ e ‘Aqui não tem essa historia de ‘dupla jornada’ feminina não’ me deixaram fula da vida por ter nascido brasileira e burra. Sim, meus amigos voyeres, burra! Porque até eu começar a matutar essas declarações, eu estava satisfeita e contente por ter dado conta de uma imensa quantidade de roupas para passar, que tinham se acumulado no feriado, em tempo de ter 5 horas de sono (deitei às 2 da manhã). Eu não estava nem puta por ter ficado com bolhas d’água na mão e dor nas costas.

Sou ou não sou uma besta quadrada? Enquanto eu me acabava na tábua de passar, meu digníssimo marido Ogro já estava no seu vigésimo sono e, inclusive, não queria ser perturbado no quarto, portanto, eu que guardasse as roupas na pontinha do pé.

Pensem comigo: trabalho tanto ou mais que ele e estudo à noite a mesma quantidade de horas que ele. Por que, então, a tarefa de passar aquela quantidade enorme de roupa não foi dividida irmãmente? Se a gente ficasse responsável cada um por sua roupa já seria um adianto danado. As camisas sociais dele são ‘’ para passar, quando você termina um lado, a porra do outro lado já ta todo amassado. Um inferno!

O mesmo vale pra faxina e pra comida. Passo minhas sagradas horas do final de semana que nem uma Amélia, me dividindo entre o fogão e o esfregão. O máximo que ele faz, mesmo assim no tempo dele (que é sempre depois de algum jogo de futebol), é estender uma roupa e secar o banheiro. E vamos combinar que isso num dá trabalho nenhum, kct!

Enfim, sou uma burra e a sociedade brasileira é escrota toda vida. Porque se eu começar a fazer escândalo exigindo direitos iguais dentro de casa e me recusando a levantar da cama em tempo pra arranjar o almoço do Ogro, eu vou ser taxada de preguiçosa que não cuida do marido direito. ‘Quê que tem fazer uma faxininha e passar uma roupinha enquanto sua faxineira de uma vez na semana está de férias?’, minha mãe me pergunta. Até minha ‘pópria’ mãe fica contra mim… E o Ogro repetindo animadamente o que a vovó dizia pra ele: ‘Em casa que tem mulher, homem não trabalha!’.

Tô lascada mesmo, só Jesus na minha vida!