Ser ou não ser macho?

31 03 2010

O ócio, ah, o ócio… Quando a folga é demais você se pega fazendo coisas que não imagina. E no meu tempo ocioso ando assistindo muita TV aberta. Já sei quase tudo sobre os personagens das novelas da Globo, estou impressionado com a baixa qualidade da programação do SBT, não abro mão de ver o Shoptime e estou gostando muito do Record News. Mas, o que me pegou de jeito mesmo foi o BBB 10. Nunca tinha acompanhado o programa como acompanhei desta vez e espero nunca mais fazê-lo.

Os participantes de quem eu mais gostava foram saindo um a um logo no início do programa e, na minha cabeça, a dúvida que me atormentava: Por que Marcelo Dourado era tão querido pelo público? Um amigo me respondeu que “em um Big Brother cheio de bichas o modelo de macho inevitavelmente acabou se destacando”. E que modelo de macho, hein!! Grosso, estúpido, sem muita noção de etiqueta e boas maneiras. Mas até aí tudo bem, eu até poderia engolir que um cara assim fosse o queridinho do público se tivesse outros atributos. O que eu não entendi e acho que não quero entender foram outras coisas… E vamos numerá-las:

1) A tatuagem com suásticas: sobre isso ele afirmou que é um símbolo milenar que pode ter diversos significados e blá, blá, blá. Em 1930 ele poderia ter dito isso! Hoje esse símbolo significa racismo, anti-semitismo, campos de concentração, perseguições, torturas, assassinatos horrendos, enfim, o símbolo continua tendo vários significados, mas nenhum que lembre algo de bom para uma sociedade.

2 )”Homem hétero não pega AIDS”. Essa pegou mal mesmo, teve uma pitada de homofobia sim, mas nada que merecesse destaque, o imperdoável foi a ignorância da pessoa. Com mais de duas décadas de campanhas de prevenção e esforço para fazer as pessoas entenderem que precisam se cuidar, o indivíduo sai com uma dessas? No entanto, o que mais me chamou a atenção foi algo que ele disse logo em seguida: 

3) “Eu não uso camisinha com as minhas namoradas e ninguém vai me fazer mudar isso”. Helloooôôwwww!!!?? Como assim? Nem suas parceiras fariam você “mudar isso”? Suas namoradas aceitam passivamente seus mandos e desmandos na cama? Seus mandos e desmandos sobre as mulheres se limitam somente ao sexo?

E esse cara é o novo ídolo nacional, a nova referência para muitas pessoas, o modelo que muitas crianças vão seguir.

Pelo menos foi bom pra eu voltar à realidade. Quando a gente fica vendo muitos seriados a gente quase acredita que o mundo é como em Will & Grace e as pessoas podem viver felizes do jeito que são.

Talvez Marcelo Dourado não seja homofóbico, mas grande parte de sua torcida certamente é (as ameaças a Dicésar provam isso). Talvez ele respeite suas parceiras, mas com certeza muitas das mulheres que pra ele torceram não fazem muita questão de serem respeitadas por seus parceiros. Talvez ele deseje viver em uma sociedade onde todos se respeitam, mas algo me diz que não é isso que grande parte de sua torcida deseja. E, quando falamos de sua torcida, falamos de quase 100 milhões de pessoas…

Definitivamente: continuo no armário. E desta vez me certificarei de que está bem trancado!





Coluna ’Enfim, sós’ – Ogro mecânico

24 09 2009

Metido a mecânicoÉ gente, to de volta depois de um tempinho de molho por causa de uma gripe safada que não queria largar do meu pé (não, não era a suína). Só demorei para dar notícias porque esse tempo que fiquei dodói afetou um pouco meu ritmo, ta sendo difícil sair da inércia e voltar para correria do dia a dia. As 24 horas que já não davam para porra nenhuma, agora dão para menos ainda.

Mas é assim mesmo, quando aquele padre irlandês despirocado interrompeu o maratonista brasileiro na olimpíada, demorou para a um kct até ele recobrar o ritmo das passadas. Eventualmente, eu também volto ao normal, só vou tentar cuidar mais da minha saúde dessa vez e não deixar cair o tempo do meu sono de beleza. Viu Leozinho? Aprendi minha lição!

Anyway, vou aproveitar a falta de histórias atuais (até porque meu Ogrinho está com moral em alta por ter cuidado de mim na convalescência), para relembrar pérolas antigas. Outro dia, quando estava revendo minha lista de pendências (entre elas, consertar o ventilador de teto), lembrei de uma história engraçada relacionada a uma característica comum não só aos ogros, mas também à maioria dos homens: excesso de confiança nos consertos domésticos. Eu queria saber quem foi o imbecil que os elegeu mecânicos, eletricistas e bombeiros hidráulicos natos?

Não me levem a mal, claro que existem seres do sexo masculino bastante capazes nesses servicinhos do lar, meu irmão é um bom exemplo disso. Mas não é porque alguns conseguem bons desempenhos que isso se torna uma característica intrínseca ao cromossomo Y. O problema é que a grande maioria dos homens cisma que é uma ofensa à sua masculinidade se você insiste em gastar dinheiro para instalar uma porta sanfonada ou prender uma cortina…

Foi isso o que aconteceu na minha história, meu ogrinho chamou seu pai e sua furadeira elétrica para uma tarde de ‘silviços’ e consertos no nosso apartamento. Cabia a mim, a fêmea, agilizar o rango e não atrapalhar, é claro.

Resolveram começar os trabalhos pela cortina e logo vieram as discussões. Algumas horas, rosnados e palavrões depois, me chamam para ver o estrago resultado. Não vou nem entrar no mérito da cagada que fizeram em todo o quarto (e que ia sobrar pra quem limpar?), mas além dos quatro furos necessários para prender a bendita cortina, eu contei mais 3 (todos tapados com pasta de dente). Além disso, eles erraram feio em alinhar a cortina com a janela (a parede estava mais coberta que todo o resto) e, provavelmente, não tinham a menor ‘loção‘ do que se trata uma linha reta. A minha sorte é que a coisa toda desabou duas semanas depois e tivemos de chamar um técnico para fazer direito (papai do céu é bom comigo).

Depois do almoço foi a vez da porta sanfonada. Resolvi ficar mais próxima dessa vez, olhando de rabo de olho. Como o serviço demorou muuuito mais que o anterior, acabei me distraindo, mas a imagem do meu sogro com uma serra nas mãos chamou minha atenção novamente. Assim que bati o olho entendi o problema: eles não estavam conseguindo encaixar a porta porque estava tudo de cabeça para baixo. A solução deles? Resolveram serrar a porta, lógico! Eles não podiam estar errados, o produto é que tinha defeito… Foi preciso a intervenção da loira burra aqui para a porta sobreviver aos marmanjos barbados.

É… Até hoje eu suo frio toda vez que meu ogrinho encosta na caixa de ferramentas. Quando meu sogro chega lá em casa com a furadeira, então… Só Jesus.





Coluna ‘Enfim, sós’ – Va fa Napoli!

21 08 2009

Fuck you and have a nice day!Essa semana, estava eu linda, loira e fagueira no salão aparando minhas garras fazendo minhas unhas e lendo uma revista, quando me deparo com uma reportagem sobre uma pessoa tão funesta, que consegue reunir todas as características que mais desprezo em certos tipinhos da espécie humana. O pior é que essa história causou tanta revolta ‘ni mim’ que decidi fugir um pouquinho do tema da minha coluna para falar sobre os tais tipinhos que me causam tanto sofrimento quanto ouvir a voz ‘sotaquenta‘ da Naiá do ‘Bîguîbródere’. Vejam a lista abaixo e me digam se tô errada:

Intelectualoides: em geral, são aquelas criaturas que se vestem com roupas de hippies, usam cabelo de hippies, óculos de hippies, mas moram na zona sul do Rio de Janeiro, têm apêzinho ‘póprio’ e dinheirinho do papai no bolso. Eles também costumam adotar trejeitos do o sexo oposto. Se forem machos, cruzam as pernas ao sentar e, se forem fêmeas, sentam de pernas abertas. O que mais ‘mirrita’ nesse povo não é esse jeito de ser paradoxal até porque, ‘e o kiko’?! O que acaba comigo ‘mermo’ é a mania presunçosa que eles têm ao fingirem que não estão ouvindo quando a gente fala com eles e de acharem que são os ‘sabetudo’ de política, economia, ciência e cultura. Experimenta discordar deles! Você logo vira um burguês bitolado, adorador de ‘enlatados americanos’. Dá vontade de falar ‘Caguei pro Sarney, Lula e Collor, isso é tudo reprise. Quero mais é que a nova temporada de House estréie logo!

Fanáticos: gente, to tomando pavor desse povo, pouco importa as variações. Sejam eles fanáticos por esportes, celebridades, videogames, ficção científica ou religião, o fato é que são todos chatos pra ‘cagalho’! A última espécie, particularmente, me desagrada em maior intensidade. Quando eu me deparo com um ‘irmão’ que resolve colocar a rádio evangélica pra tocar no celular ou mp3, sem fone de ouvido, num metrô lotado de gente, eu tenho vontade de arrancar meu braço só pra ter alguma coisa pra jogar nele. E quando eles resolvem te convencer que você tá vivendo em pecado…. ‘Mermão’, só Jesus!

Homofóbicos e machistas: Meu problema com esse povo é fácil de entender, né não? O pior é que a culpa é nossa… Isso mesmo, meus amiguinhos voyeres, nós somos tolerantes demais e eles são nada mais do que fruto da nossa sociedade escrota, machista e preconceituosa. Ok, ok… To falando sério demais e aqui não é lugar pra isso, mas me mata saber que tem gente nesse mundo que acha que gay é promíscuo e merece levar porrada e mulher boa é aquela submissa, fútil, gostosa, acéfala e que aceita ser corneada sem troco. Aliás, se eu descubro que meu Ogrinho andou urrando fora do meu território, esse caso aqui vai ser pinto perto do que eu sou capaz de aprontar (reparem bem na cara da cúmplice, amiga da mulher traída… Essa é das minhas!).

Pros curiosos que ainda estão se perguntando que ‘cagalhos‘ de reportagem foi essa que causou esse ataque de perereca todo e quem é esse ‘serumano‘ que não devida estar respirando, vou deixar que vocês leiam a reportagem e tirem suas ‘póprias concrusões‘.

Já ‘Ishpiou‘ o link? Num ‘guentô‘ de curiosidade, ne não?! Pois bem, dá ou num dá vontade de ligar pra vaca só pra dizer:





Coluna ‘Enfim, sós’ – Como educar um Ogro

22 06 2009

ogro

Ofereço o post de hoje para minhas amigas voyeres que tanto se revoltaram com o meu último desabafo ‘Amélia é que era uma fdp’. Elas me inspiraram a fazer um tratamento de choque com meu marido Ogro para ele começar a dividir comigo as tarefas do dia-a-dia.

A experiência rendeu um aprendizado grande na arte de como lidar com Ogros. Por isso, achei importante dividir o que aprendi com as minhas amigas voyeres que sofrem com os mesmos problemas. Organizei aqui o conhecimento adquirido em 3 dicas que ajudarão vocês a educar seus Ogrinhos em casa:

Dica nº 1 – Seja franca, divida sua insatisfação:

Os Ogros são criaturas perfeitamente capazes de entender nossa angústia, o problema é que eles não são muito sensíveis. Nunca espere que eles ‘percebam’ por conta própria que há um problema. Você precisa falar, com todas as letras, o que a está chateando, se necessário desenhe.

Dica nº 2 – Faça o Ogro se comprometer:

Não adianta apenas fazê-lo entender o problema, é preciso conseguir que ele se comprometa a colaborar. Cuidado para não ser enrolada, eles conseguem mudar o foco com muita facilidade. Minha experiência pessoal diz que contrato oral não adianta, meu conselho é fazê-lo assinar um termo de compromisso (a digital do polegar direito já é suficiente).

Dica nº 3 – Ameace:

O Ogros são criaturas volúveis e manipuladoras. Eles mudam com facilidade promessas e conseguem argumentos que defendam sua preguiça. Não adianta mostrar o termo de compromisso assinado (ajuda, mas não adianta). Por isso, não meça as ameaças. Use todos os recursos de sua mente venenosa. Vale tudo nessa hora, mas, pasmem, a ameaça que tem melhores resultados é a greve da Amélia na hora do almoço: se recuse a fazer qualquer coisa se ele não levantar a bunda do sofá. Se possível, faça exatamente o que ele estiver fazendo (se ele estiver assistindo o futebol, abra uma cerveja e assista junto com ele). Largar calcinhas do mesmo modo que eles largam as cuecas funciona muito bem também.

Por fim, se nada disso der certo, faça o eu fiz nesse final de semana: arme um barraco daqueles. Desça do salto sem dó nem piedade (eu joguei na pia a macarronada que estava servindo na mesa). E se eles te mandarem para a pqp, siga o conselho e vá para casa da sua mãe. Garanto que quando você voltar, estará tudo limpinho esperando por você.

E o Ogro? Devidamente adestrado e morrendo de medo da esposa enlouquecida.





Ser ou não ser brasileiro?

18 06 2009

para o blog

Adorei o último post da Tati (‘Amélia é que era uma fdp’)! Sabe que o texto ‘Machismo na França’ da nossa correspondente venenosa, Amanda, também me deixou puto? Li esse post à noite e passei o dia inteiro seguinte pensando no que ela escreveu, não só sobre as pessoas dividirem tarefas domésticas, mas sobre os valores que essas civilizações mais desenvolvidas têm (não trair, não dar cantadas grotescas) que nós não temos. Quando eu penso nisso me dá vergonha de ser brasileiro…

Tô puto também com o que aconteceu na parada gay! Não que eu goste da parada em si, não tenho uma opinião formada sobre o assunto, mas explodir bombas ou quase matar um cara a chutes é muita ignorância! Se você não gosta de gays, pelo menos pense no dinheiro que eles estão deixando na tua cidade!

E naquela mesma noite, a TV estava ligada no programa Super Pop (écowpt!) e acabei assistindo a uma discussão sobre o fim do mundo em 2012. Eu parei para ver os absurdos que o povo dizia e o que mais me impressionou foi que o entrevistado, um cético que questionava o que estavam dizendo, foi “detonado“. Eu fiquei puto! Pessoas falando absurdos sem nenhum fundamento científico sendo aplaudidas enquanto um cara realista era vaiado e chamado de mal-educado pela apresentadora? Hello-ôw!!!! O Brasil definitivamente merece ser o que é…

Nossa como eu tô puto! Quero ir embora!





Coluna ‘Enfim Sós’ – Amélia é que era uma fdp!

17 06 2009

Housewife_by_woahhhitsamanda

O novo post ‘Machismo na França, escrito pela nossa correspondente venenosa, Amanda, em seu blog ‘Petit Journal de la Porte Dorée’, me causou insônia ontem. Na verdade, o que aconteceu foi que durante todo o dia agitado que eu tive ele ficou guardadinho no meu inconsciente e só se manifestou no momento em que eu deitei minha cabecinha linda e loira no travesseiro.

Foi naquele momento que as declarações ‘os homens franceses fazem tarefas domésticas… Eles limpam a casa, lavam a roupa, fazem comida, tanto quanto a mulher’ e ‘Aqui não tem essa historia de ‘dupla jornada’ feminina não’ me deixaram fula da vida por ter nascido brasileira e burra. Sim, meus amigos voyeres, burra! Porque até eu começar a matutar essas declarações, eu estava satisfeita e contente por ter dado conta de uma imensa quantidade de roupas para passar, que tinham se acumulado no feriado, em tempo de ter 5 horas de sono (deitei às 2 da manhã). Eu não estava nem puta por ter ficado com bolhas d’água na mão e dor nas costas.

Sou ou não sou uma besta quadrada? Enquanto eu me acabava na tábua de passar, meu digníssimo marido Ogro já estava no seu vigésimo sono e, inclusive, não queria ser perturbado no quarto, portanto, eu que guardasse as roupas na pontinha do pé.

Pensem comigo: trabalho tanto ou mais que ele e estudo à noite a mesma quantidade de horas que ele. Por que, então, a tarefa de passar aquela quantidade enorme de roupa não foi dividida irmãmente? Se a gente ficasse responsável cada um por sua roupa já seria um adianto danado. As camisas sociais dele são ‘’ para passar, quando você termina um lado, a porra do outro lado já ta todo amassado. Um inferno!

O mesmo vale pra faxina e pra comida. Passo minhas sagradas horas do final de semana que nem uma Amélia, me dividindo entre o fogão e o esfregão. O máximo que ele faz, mesmo assim no tempo dele (que é sempre depois de algum jogo de futebol), é estender uma roupa e secar o banheiro. E vamos combinar que isso num dá trabalho nenhum, kct!

Enfim, sou uma burra e a sociedade brasileira é escrota toda vida. Porque se eu começar a fazer escândalo exigindo direitos iguais dentro de casa e me recusando a levantar da cama em tempo pra arranjar o almoço do Ogro, eu vou ser taxada de preguiçosa que não cuida do marido direito. ‘Quê que tem fazer uma faxininha e passar uma roupinha enquanto sua faxineira de uma vez na semana está de férias?’, minha mãe me pergunta. Até minha ‘pópria’ mãe fica contra mim… E o Ogro repetindo animadamente o que a vovó dizia pra ele: ‘Em casa que tem mulher, homem não trabalha!’.

Tô lascada mesmo, só Jesus na minha vida!