Um tapinha não dói?

28 11 2010

Esta semana um deputado do Rio de Janeiro nos agraciou com o que seria uma técnica revolucionária para evitar que pessoas continuem “virando” gays. Segundo o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) ” bater nos filhos pode ajudar a mudar um suposto comportamento homossexual da criança”.

Muito bem deputado! Sua dica é um exemplo que deve ser seguido por todos os pais que desejam que seus filhos sejam machos, valentes, sem frescuras e que  cresçam cheios de traumas, rancores e revoltas contra os pais e a sociedade e que, já nos primeiros anos de convívio social começarão a bater nos coleguinhas, não respeitarão seus professores e causarão alguns pequenos incômodos aos pais. Mas nada comparado à grande tragédia que seria ter um filho gay, certo? Mesmo que na adolescência ele bata em mendigos e venda a TV de LED da família pra comprar drogas, ainda assim, esses pais estarão no lucro, afinal, podia ser pior…

Claro que é possível que a criança, mesmo tendo apanhado muito dos pais ao menor sinal de “desvio sexual”, não caia no mundo das drogas e nem bata em mendigos. É possível que essa criança, de tanto ouvir que ser gay é uma desgraça, entenda perfeitamente o que ela precisa fazer pra acabar de vez com esse mal que é a homossexualidade: bater em gays. E esse tipo de atitude realmente deve deixar esses pais muito orgulhosos.

Infelizmente a sugestão desse deputado não acaba com a ignorância, pois, se acabasse, eu iria sugerir que alguém desse uma surra nele. Uma assim meio diferenciada. Do tipo “quebrar lâmpadas fluorescentes” na cabeça da pessoa.

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Ser ou não ser macho?

31 03 2010

O ócio, ah, o ócio… Quando a folga é demais você se pega fazendo coisas que não imagina. E no meu tempo ocioso ando assistindo muita TV aberta. Já sei quase tudo sobre os personagens das novelas da Globo, estou impressionado com a baixa qualidade da programação do SBT, não abro mão de ver o Shoptime e estou gostando muito do Record News. Mas, o que me pegou de jeito mesmo foi o BBB 10. Nunca tinha acompanhado o programa como acompanhei desta vez e espero nunca mais fazê-lo.

Os participantes de quem eu mais gostava foram saindo um a um logo no início do programa e, na minha cabeça, a dúvida que me atormentava: Por que Marcelo Dourado era tão querido pelo público? Um amigo me respondeu que “em um Big Brother cheio de bichas o modelo de macho inevitavelmente acabou se destacando”. E que modelo de macho, hein!! Grosso, estúpido, sem muita noção de etiqueta e boas maneiras. Mas até aí tudo bem, eu até poderia engolir que um cara assim fosse o queridinho do público se tivesse outros atributos. O que eu não entendi e acho que não quero entender foram outras coisas… E vamos numerá-las:

1) A tatuagem com suásticas: sobre isso ele afirmou que é um símbolo milenar que pode ter diversos significados e blá, blá, blá. Em 1930 ele poderia ter dito isso! Hoje esse símbolo significa racismo, anti-semitismo, campos de concentração, perseguições, torturas, assassinatos horrendos, enfim, o símbolo continua tendo vários significados, mas nenhum que lembre algo de bom para uma sociedade.

2 )”Homem hétero não pega AIDS”. Essa pegou mal mesmo, teve uma pitada de homofobia sim, mas nada que merecesse destaque, o imperdoável foi a ignorância da pessoa. Com mais de duas décadas de campanhas de prevenção e esforço para fazer as pessoas entenderem que precisam se cuidar, o indivíduo sai com uma dessas? No entanto, o que mais me chamou a atenção foi algo que ele disse logo em seguida: 

3) “Eu não uso camisinha com as minhas namoradas e ninguém vai me fazer mudar isso”. Helloooôôwwww!!!?? Como assim? Nem suas parceiras fariam você “mudar isso”? Suas namoradas aceitam passivamente seus mandos e desmandos na cama? Seus mandos e desmandos sobre as mulheres se limitam somente ao sexo?

E esse cara é o novo ídolo nacional, a nova referência para muitas pessoas, o modelo que muitas crianças vão seguir.

Pelo menos foi bom pra eu voltar à realidade. Quando a gente fica vendo muitos seriados a gente quase acredita que o mundo é como em Will & Grace e as pessoas podem viver felizes do jeito que são.

Talvez Marcelo Dourado não seja homofóbico, mas grande parte de sua torcida certamente é (as ameaças a Dicésar provam isso). Talvez ele respeite suas parceiras, mas com certeza muitas das mulheres que pra ele torceram não fazem muita questão de serem respeitadas por seus parceiros. Talvez ele deseje viver em uma sociedade onde todos se respeitam, mas algo me diz que não é isso que grande parte de sua torcida deseja. E, quando falamos de sua torcida, falamos de quase 100 milhões de pessoas…

Definitivamente: continuo no armário. E desta vez me certificarei de que está bem trancado!





Coluna ‘Enfim, sós’ – Va fa Napoli!

21 08 2009

Fuck you and have a nice day!Essa semana, estava eu linda, loira e fagueira no salão aparando minhas garras fazendo minhas unhas e lendo uma revista, quando me deparo com uma reportagem sobre uma pessoa tão funesta, que consegue reunir todas as características que mais desprezo em certos tipinhos da espécie humana. O pior é que essa história causou tanta revolta ‘ni mim’ que decidi fugir um pouquinho do tema da minha coluna para falar sobre os tais tipinhos que me causam tanto sofrimento quanto ouvir a voz ‘sotaquenta‘ da Naiá do ‘Bîguîbródere’. Vejam a lista abaixo e me digam se tô errada:

Intelectualoides: em geral, são aquelas criaturas que se vestem com roupas de hippies, usam cabelo de hippies, óculos de hippies, mas moram na zona sul do Rio de Janeiro, têm apêzinho ‘póprio’ e dinheirinho do papai no bolso. Eles também costumam adotar trejeitos do o sexo oposto. Se forem machos, cruzam as pernas ao sentar e, se forem fêmeas, sentam de pernas abertas. O que mais ‘mirrita’ nesse povo não é esse jeito de ser paradoxal até porque, ‘e o kiko’?! O que acaba comigo ‘mermo’ é a mania presunçosa que eles têm ao fingirem que não estão ouvindo quando a gente fala com eles e de acharem que são os ‘sabetudo’ de política, economia, ciência e cultura. Experimenta discordar deles! Você logo vira um burguês bitolado, adorador de ‘enlatados americanos’. Dá vontade de falar ‘Caguei pro Sarney, Lula e Collor, isso é tudo reprise. Quero mais é que a nova temporada de House estréie logo!

Fanáticos: gente, to tomando pavor desse povo, pouco importa as variações. Sejam eles fanáticos por esportes, celebridades, videogames, ficção científica ou religião, o fato é que são todos chatos pra ‘cagalho’! A última espécie, particularmente, me desagrada em maior intensidade. Quando eu me deparo com um ‘irmão’ que resolve colocar a rádio evangélica pra tocar no celular ou mp3, sem fone de ouvido, num metrô lotado de gente, eu tenho vontade de arrancar meu braço só pra ter alguma coisa pra jogar nele. E quando eles resolvem te convencer que você tá vivendo em pecado…. ‘Mermão’, só Jesus!

Homofóbicos e machistas: Meu problema com esse povo é fácil de entender, né não? O pior é que a culpa é nossa… Isso mesmo, meus amiguinhos voyeres, nós somos tolerantes demais e eles são nada mais do que fruto da nossa sociedade escrota, machista e preconceituosa. Ok, ok… To falando sério demais e aqui não é lugar pra isso, mas me mata saber que tem gente nesse mundo que acha que gay é promíscuo e merece levar porrada e mulher boa é aquela submissa, fútil, gostosa, acéfala e que aceita ser corneada sem troco. Aliás, se eu descubro que meu Ogrinho andou urrando fora do meu território, esse caso aqui vai ser pinto perto do que eu sou capaz de aprontar (reparem bem na cara da cúmplice, amiga da mulher traída… Essa é das minhas!).

Pros curiosos que ainda estão se perguntando que ‘cagalhos‘ de reportagem foi essa que causou esse ataque de perereca todo e quem é esse ‘serumano‘ que não devida estar respirando, vou deixar que vocês leiam a reportagem e tirem suas ‘póprias concrusões‘.

Já ‘Ishpiou‘ o link? Num ‘guentô‘ de curiosidade, ne não?! Pois bem, dá ou num dá vontade de ligar pra vaca só pra dizer:





Ser ou não ser brasileiro?

18 06 2009

para o blog

Adorei o último post da Tati (‘Amélia é que era uma fdp’)! Sabe que o texto ‘Machismo na França’ da nossa correspondente venenosa, Amanda, também me deixou puto? Li esse post à noite e passei o dia inteiro seguinte pensando no que ela escreveu, não só sobre as pessoas dividirem tarefas domésticas, mas sobre os valores que essas civilizações mais desenvolvidas têm (não trair, não dar cantadas grotescas) que nós não temos. Quando eu penso nisso me dá vergonha de ser brasileiro…

Tô puto também com o que aconteceu na parada gay! Não que eu goste da parada em si, não tenho uma opinião formada sobre o assunto, mas explodir bombas ou quase matar um cara a chutes é muita ignorância! Se você não gosta de gays, pelo menos pense no dinheiro que eles estão deixando na tua cidade!

E naquela mesma noite, a TV estava ligada no programa Super Pop (écowpt!) e acabei assistindo a uma discussão sobre o fim do mundo em 2012. Eu parei para ver os absurdos que o povo dizia e o que mais me impressionou foi que o entrevistado, um cético que questionava o que estavam dizendo, foi “detonado“. Eu fiquei puto! Pessoas falando absurdos sem nenhum fundamento científico sendo aplaudidas enquanto um cara realista era vaiado e chamado de mal-educado pela apresentadora? Hello-ôw!!!! O Brasil definitivamente merece ser o que é…

Nossa como eu tô puto! Quero ir embora!