Ser ou não ser desconectado?

30 03 2010

Sobrevivi!

Meu dilema começou com minha internet que resolveu deixar de funcionar. Depois de muito ser enrolado pelos responsáveis, resolvi procurar os serviços de outra empresa. O que eu não esperava é que seria enrolado por duas semanas até poder voltar a me conectar.

A abstinência de Internet causa alguns efeitos estranhos… Mesmo desconectado é difícil sair da frente do PC. Quando eu já estava craque em paciência spider (com quatro naipes!), minhas cidades no Sim City estavam ricas e com lindos edifícios comerciais, meus Sims eram felizes e realizados em todos os aspectos possíveis (jogo com envelhecimento desabilitado) e o Master Chief aqui destruiu Halo pela segunda vez, meu PC pediu um tempo… Ok, era tudo o que eu precisava, ficar sem ele também!

Finalmente hoje foi tudo resolvido! Meu PC tá turbinado (pronto pra salvar a Terra dos Covenants), minha internet está veloz e minha rede sem fio doméstica ficou melhor do que eu esperava.

Felizmente tudo acabou bem e posso voltar a ser gay aqui no mundo virtual. Melhor não reprimir muito esses impulsos, porque eu juro que se ouvisse Tik-Tok ou Poker Face mais uma vez eu ia subir na primeira mesa que aparecesse na frente e dançar como louca louco!

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Ser ou não ser especial?

31 10 2009

TatiO post de hoje é um post “baba ovo”, “paga pau” e cheio de outras expressões que indicam que eu tô colocando alguém no pedestal mais alto. Mas… Para que ninguém fique achando que eu tô fugindo da minha função de viadinho do blog, vou tentar contextualizar…

Existe uma verdade universal que diz que todo gay precisa de uma melhor amiga. Fato! Gays que não têm uma melhor amiga são chatos e sem noção. É verdade que ao longo da nossa odisséia muitas gurias vêm e vão… Todas sempre muito importantes e com direito a um pedestal bem bonito e ornamentado. E a primeira delas, assim como nosso primeiro amor, não pode deixar de ter um destaque especial. Logo que eu descobri que preferir olhar para os guris ao invés de olhar para as gurias era algo de caráter irrevogável (já contei a história aqui) eu pensei que estaria tudo bem se eu nunca contasse a ninguém… Eu só não achei q seria tão difícil não contar a ninguém… Outra verdade universal é que nós todos precisamos de alguém pra ouvir nossas lamúrias. Consegui ficar dois anos sem falar sobre isso e nesse tempo eu conversava com uma guria que eu conheci de maneira inusitada e que era uma figurinha muito divertida. Eu já estava decidido de que se algum dia eu fosse contar a alguém sobre o meu “desvio” seria pra ela e, quando ela me disse que tinha um segredo bem sério pra me contar eu respondi a ela que eu também tinha um. Fizemos uma troca… Mas o segredo dela nem era tão sério assim… Ok, na época era… Não vou contar pra vocês porque eu prometi que nunca contaria a ninguém (sorry, é nosso acordo!). A reação dela foi melhor do que eu imaginava: “Não posso mentir pra você, não entendo muito sobre isso, mas prometo que vou fazer de tudo pra entender. Apenas lembre de que tudo que a gente faz e sente é da nossa natureza, então, relaxa. E eu sempre vou apoiar você.”

Depois disso eu não tinha mais dúvidas do quanto essa guria era especial pra mim. E ela realmente fez e faz diferença! Ela é aquele tipo de pessoa que quando coloca uma coisa na cabeça não sossega enquanto não vê tudo realizado, faz mil coisas ao mesmo tempo, ta sempre tendo idéias revolucionarias (e não tão revolucionárias assim), consegue ver o lado positivo de tudo, (mas gosta de dar ênfase ao lado negativo porque se ninguém reclamar as coisas nunca vão mudar), consegue fazer as pessoas rirem mesmo sem contar piada (algumas coisas só acontecem na vida dela!), tem muuuuita sorte (porque apesar de todo o talento pra arranjar cafajestes ela arrumou um marido honesto e trabalhador que, apesar de não lavar copos, se prontifica a fazer alguns serviços domésticos). Ela também é meio neurótica (a noite de domingo em que ela cismou que tava grávida…).E é Flamenguista… Mas não vamos prestar atenção em pequenos defeitinhos, né?

Eu sei, eu sei, estão todos querendo uma amiga assim, né? Eu sou bem ciumento e egoísta, por mim eu não dividiria ela com ninguém, mas hoje estou generoso, então, se quiserem conhece-la melhor, é só clicar aqui ou aqui (mas vou logo avisando que o amigo gay dela sou eu e não aceito concorrência!). E aproveitem pra desejar a ela um FELIZ ANIVERSÁRIO!





Ser ou não ser do interior?

20 10 2009

vacaPara a maioria das pessoas, morar no interior significa morar longe do litoral em uma cidade com 80 a 100 mil habitantes. Pra mim, morar no interior significa morar em uma cidade com 7 mil habitantes (e beeeem longe do litoral).

Existe uma lenda que diz que a vida no interior é mais sossegada, as pessoas são menos individualistas, menos estressadas e mais felizes. É verdade que em lugares assim você vai da sua casa até o seu trabalho em menos de 20 minutos, o transito não é nem um pouco complicado (quase não existe), você pode cumprimentar todas as pessoas que encontra na rua (porque todos conhecem todos) e pode ter uma vida bem tranquila e sossegada. Desde que você não fuja do padrão! E essa é a parte difícil pra qualquer pessoa que se atreve a pensar diferente (na realidade nem precisa tanto, só pensar e questionar já é suficiente). Cidades pequenas são lugares parados no tempo, altamente conservadores e resistentes a qualquer tipo de mudança. Se você quiser viver feliz em lugares assim você precisa pensar como a sociedade dos grandes centros urbanos pensava em 1943. Não pergunte, não duvide, obedeça, seja um exemplo de cidadão, siga todas as indicações, jamais diga que o governo militar não foi um bom governo (porque naquela época não existiam vadios) e, principalmente: não seja gay!

A verdade, entretanto, é um pouco diferente dos pressupostos positivistas que regem o comportamento dos interioranos. As mesmas mulheres que condenam a filha da vizinha por estar grávida e ser solteira, são as que levam homens para seus quartos enquanto seus maridos estão viajando. Os cidadãos de bem que não perdem uma missa no sábado à noite, saem da Igreja e correm pra disputar um dos dois travestis que trabalham na saída da cidade (afinal, se você come um viado, você não é gay, então isso pode). Isso entre diversas outras histórias que só quem vive no interior tem o privilégio de conhecer. E, acredite, mesmo que você não dê a mínima para o que os outros estão fazendo, você sempre saberá de tudo, porque o que menos falta em lugares desse tipo são aquelas solteironas de meia idade que passam o dia cuidado da vida alheia pra depois correr tomar um chimarrão na casa do vizinho mais próximo e contar tudo, detalhe por detalhe, do que acontece de pior na vila em que você vive.

Eu tentei, juro que tentei me adaptar ao modo de vida desse lugar. Também tentei não ser gay. Mas não consegui nem um nem outro. Mesmo que eu não fosse gay eu não me adaptaria… Não sigo as indicações (mas leio todas), sempre duvido de tudo e estou longe de ser um exemplo de cidadão. Mas acho que foi bom eu não conseguir me adaptar, pois esses lugares são capazes de nos corromper e podemos terminar acreditando que não somos capazes de nada e que devemos ser como todo mundo pra que sejamos respeitados.

Cheguei a acreditar que o problema fosse comigo, afinal, eu é que estava fora dos padrões e esse devia ser o motivo pra eu não conseguir fazer amizades aqui. Felizmente, antes de eu deixar de pensar e me tornar mais um cidadão comum de um lugar comum no meio do nada, conheci pessoas fora da bolha e percebi que eu não estava tão errado assim… Infelizmente, depois de tanto tempo no interior, tornar-se urbano pode ser um pouco difícil. E o grande problema é que no final, não importa o quanto você se esforce, você sempre será um pouco interiorano…





Coluna ‘Enfim, sós’ – Va fa Napoli!

21 08 2009

Fuck you and have a nice day!Essa semana, estava eu linda, loira e fagueira no salão aparando minhas garras fazendo minhas unhas e lendo uma revista, quando me deparo com uma reportagem sobre uma pessoa tão funesta, que consegue reunir todas as características que mais desprezo em certos tipinhos da espécie humana. O pior é que essa história causou tanta revolta ‘ni mim’ que decidi fugir um pouquinho do tema da minha coluna para falar sobre os tais tipinhos que me causam tanto sofrimento quanto ouvir a voz ‘sotaquenta‘ da Naiá do ‘Bîguîbródere’. Vejam a lista abaixo e me digam se tô errada:

Intelectualoides: em geral, são aquelas criaturas que se vestem com roupas de hippies, usam cabelo de hippies, óculos de hippies, mas moram na zona sul do Rio de Janeiro, têm apêzinho ‘póprio’ e dinheirinho do papai no bolso. Eles também costumam adotar trejeitos do o sexo oposto. Se forem machos, cruzam as pernas ao sentar e, se forem fêmeas, sentam de pernas abertas. O que mais ‘mirrita’ nesse povo não é esse jeito de ser paradoxal até porque, ‘e o kiko’?! O que acaba comigo ‘mermo’ é a mania presunçosa que eles têm ao fingirem que não estão ouvindo quando a gente fala com eles e de acharem que são os ‘sabetudo’ de política, economia, ciência e cultura. Experimenta discordar deles! Você logo vira um burguês bitolado, adorador de ‘enlatados americanos’. Dá vontade de falar ‘Caguei pro Sarney, Lula e Collor, isso é tudo reprise. Quero mais é que a nova temporada de House estréie logo!

Fanáticos: gente, to tomando pavor desse povo, pouco importa as variações. Sejam eles fanáticos por esportes, celebridades, videogames, ficção científica ou religião, o fato é que são todos chatos pra ‘cagalho’! A última espécie, particularmente, me desagrada em maior intensidade. Quando eu me deparo com um ‘irmão’ que resolve colocar a rádio evangélica pra tocar no celular ou mp3, sem fone de ouvido, num metrô lotado de gente, eu tenho vontade de arrancar meu braço só pra ter alguma coisa pra jogar nele. E quando eles resolvem te convencer que você tá vivendo em pecado…. ‘Mermão’, só Jesus!

Homofóbicos e machistas: Meu problema com esse povo é fácil de entender, né não? O pior é que a culpa é nossa… Isso mesmo, meus amiguinhos voyeres, nós somos tolerantes demais e eles são nada mais do que fruto da nossa sociedade escrota, machista e preconceituosa. Ok, ok… To falando sério demais e aqui não é lugar pra isso, mas me mata saber que tem gente nesse mundo que acha que gay é promíscuo e merece levar porrada e mulher boa é aquela submissa, fútil, gostosa, acéfala e que aceita ser corneada sem troco. Aliás, se eu descubro que meu Ogrinho andou urrando fora do meu território, esse caso aqui vai ser pinto perto do que eu sou capaz de aprontar (reparem bem na cara da cúmplice, amiga da mulher traída… Essa é das minhas!).

Pros curiosos que ainda estão se perguntando que ‘cagalhos‘ de reportagem foi essa que causou esse ataque de perereca todo e quem é esse ‘serumano‘ que não devida estar respirando, vou deixar que vocês leiam a reportagem e tirem suas ‘póprias concrusões‘.

Já ‘Ishpiou‘ o link? Num ‘guentô‘ de curiosidade, ne não?! Pois bem, dá ou num dá vontade de ligar pra vaca só pra dizer:





Ser ou não ser um mentiroso?

18 08 2009

WDCC-PINOCCHIO-IHá alguns dias uma amiga me disse que mesmo quando eu falo a verdade eu não falo a verdade toda, muita coisa fica escondida. Na hora achei que ela estava me chamando de falso, mas depois resolvi refletir sobre o assunto. Principalmente porque na mesma semana meu melhor amigo me perguntou se eu já tinha mentido pra ele.

Não gosto de mentiras, já tive um amigo que mentia compulsivamente e aquilo me incomodava bastante (tanto que o excluí dos meus contatos), mas eventualmente elas são necessárias. Contudo, eu jamais mentiria para um amigo e acho que foi por isso que desenvolvi essa técnica de falar verdades incompletas. Acho que todos têm algo a esconder, segredos inocentes ou não que nos deixariam constrangidos se outras pessoas soubessem. E esse constrangimento pode ser intensificado quando gostamos dessas pessoas. Cabe a cada um decidir os meios a serem utilizados para que esses segredos não sejam descobertos. Mentiras são alternativas fáceis e rápidas. O problema com elas é que você nunca estará no controle e, cedo ou tarde, você será descoberto. E quando for descoberto seu constrangimento será dobrado: segredo descoberto e mentira revelada. E você provavelmente não terá um buraco na sua frente pra poder se esconder. Com um pouco de sorte você estará no 16º andar de um edifício… Mas não sei se seria legal se jogar de lá…

Meu melhor amigo não sabe que sou gay. Não sei se seria meu amigo se soubesse e não quero descobrir. No dia que me perguntou se eu já tinha mentido pra ele, ele propôs um acordo de que jamais mentiríamos um pro outro. Achei justo. Nunca menti pra ele e também não pretendo mentir.  Mas certamente farei tudo o que eu puder para que ele nunca me faça a pergunta: “Você é gay?”.





Ser ou não ser conservador?

28 07 2009

ApertadoMenComo saber que você está ficando velho (e chato)? Preste atenção ao que as pessoas estão fazendo ao seu redor e, se você ficar indignado com o modo de vida de algumas delas, você corre um sério risco de estar entrando para o clube dos chatos moralistas conservadores que tanto te irritavam alguns anos atrás.

Faz pouco tempo que resolvi mergulhar um pouco mais fundo no mundo gay. A primeira balada GLS que eu tive coragem de ir foi em uma cidade beeeem longe daqui. E isso foi no começo deste ano. Depois da primeira experiência foi mais fácil encarar e fui em mais duas (numa cidade aqui perto). Em todas elas enfrentei situações em que eu fiquei sem saber direito como agir, mas na última, quando eu achava que nada mais me surpreenderia, percebi que nunca vou me acostumar com esses viados pervertidos.

Entre homens beijando homens, mulheres beijando mulheres, pessoas de sexo indefinido e pessoas tirando a roupa, tinha algo que me incomodava: eu precisava mijar ir ao banheiro! O problema é que o banheiro estava ocupado. Por várias pessoas. Que não estavam fazendo o que as pessoas costumam fazer em banheiros. Eu poderia até tentar aliviar a pressão na bexiga por lá, mas e o medo de ser estuprado? Não sei onde foi que eu parei de me modernizar, mas até pouco tempo atrás “dark room” era o local onde os mais apressados faziam sexo. Quando foi que mudaram as atribuições do banheiro? Eu cresci vendo o banheiro de uma maneira e agora me dizem que ele é a última tendência em “templos da fornicação”? Definitivamente estou ficando velho… E meu esfíncter urinário se nega a relaxar quando existem pessoas fazendo sexo do meu lado. Felizmente sou homem e pra resolver minha situação foi só ir pro lado de fora e achar um canto escuro qualquer… Mas e se eu fosse mulher?





Ser ou não ser um pecador?

11 07 2009

1247351235782Estava eu andando distraidamente pela praça de uma cidade vizinha quando um jovem me abordou e, educadamente, me perguntou se podia me entregar um jornal.

Claro! – Respondi.

O jornal em questão era a “Folha Universal”. Na capa, a polêmica sobre um menino nos Estados Unidos que quer ser menina. Fiquei levemente irritado por imaginar o conteúdo da reportagem. Algumas pessoas traduziriam esta reação como: “satanás soprou no meu ouvido que eu devo sentir ódio de Evangélicos”. O que não é verdade, porque eu jamais sentiria ódio (faz mal pro músculo cardíaco). Ao me entregar o jornal o jovem aproveitou pra me fazer um convite: uma reunião que aconteceria na Igreja algumas horas mais tarde. Foi nessa hora que satanás soprou novamente no meu ouvido. Por acaso eu estava de óculos na hora do convite e não resisti:

A Igreja não é o local onde fica o altar do Senhor?

– Sim.

Obrigado pelo convite, mas eu uso óculos, não poderei comparecer.

Percebendo que ele ficou com cara de quem não tinha entendido nada, concluí:

Na Bíblia tá escrito que pessoas com problemas de visão não podem se aproximar do altar do Senhor. E nós não queremos desrespeitar a palavra do Senhor, né? Seria um pecado… Uma abominação!

– Todos são bem-vindos na casa do Senhor – rebateu ele (e tenho certeza de que ouvi satanás soprando no ouvido dele também).

Até o meu amigo gay? (eu não ia dizer que o gay era eu porque seria queimado ali mesmo… Gay e com problemas de visão? Muita coisa pra uma pessoa só…)

– Ele também seria bem-vindo e tenho certeza de que poderia ser ajudado na nossa Igreja.

Vocês o ajudariam respeitando a condição dele ou tentando curá-lo sob os argumentos de que ele é uma abominação?

Como ele demorou mais de 5 segundos pra me responder usei meu melhor sorriso “continuarei a te respeitar mesmo assim”, devolvi o jornal e segui o meu caminho.