Ser ou não ser Argentino?

16 05 2010

Com a Copa do Mundo de Futebol chegando, aquela velha rivalidade entre brasileiros e argentinos, inevitavelmente, ganha uma força maior. Essa disputa entre as duas nacionalidades sempre me pareceu uma grande bobagem, afinal, é indiscutível que somos melhores do que eles no futebol.

Contudo, em alguns aspectos, eles são incomparavelmente melhores do que nós e, se não ficássemos o tempo todo exaltando nossa superioridade no “circus turma”, talvez pudéssemos aprender algumas coisinhas com eles.

Por algum motivo as novelas brasileiras (tipo exportação) nunca mostraram um beijo gay. Lembro que há alguns anos houve uma grande polêmica sobre o possível primeiro beijo gay da TV na novela América e o resultado foi uma grande frustração. Ok, teve uns beijinhos entre duas gurias em uma novela, mas não dá pra considerar. Foram tão vazios, rápidos, sem emoção, sem sentimentos e, principalmente, sem trilha sonora.

Nossos hermanos, por outro lado, já deixaram essa fase há muito tempo. Este mês a novela “Botineras” exibiu uma cena de sexo entre dois homens que eu nem ousaria pensar em ver numa novela brasileira. Quando li a notícia, descobri que o primeiro beijo entre os personagens aconteceu há mais de dois meses. Isso já teria sido suficiente para me deixar impressionado, mas, para minha surpresa, vi que beijos gays já fazem parte das novelas Argentinas desde 2003! E, para mostrar que não é só na ficção que os homossexuais estão sendo tratados com igualdade, em dezembro foi realizado o primeiro casamento gay do país. Ainda não há uma lei definitiva para que todos os homossexuais do país possam se casar, mas o projeto já foi aprovado pelos deputados e está a um passo de colocar a Argentina no seleto grupo de países onde todos os cidadãos têm direitos iguais.

Enquanto isso, no Brasil, um certo reality show fez o país levantar a bandeira do machismo e da homofobia, bater bem forte no peito e gritar bem alto o quanto se orgulha disso! Nunca antes a expressão “we have bananas” fez tanto sentido!





Coluna ‘Enfim, sós’ – Uma vez Flamengo, sempre flamengo?

28 08 2009

Flamenguista doenteNo meu último post, falei o quanto me incomodava conviver com algumas raças de seres vivos, entre eles, os ‘fanáticos’ de todas as variações. Acabei me alongando ao descrever a espécie ‘fanaticus religiosus sp’ e acabei por negligenciar a variação que mais afeta a minha vida: o ‘fanaticus poresportis sp’, mais especificamente a sub-raça ‘ogrus flamenguistas’.

Na verdade, eu tenho uma teoria que o cromossomo Y carrega consigo alguns genes tipicamente masculinos, como o da palhaçada, do machismo, da preguiça, da bagunça e, é claro, o do fanatismo por esporte. É evidente que esses genes podem ser recessivos ou dominantes, depende muito de como são estimulados no decorrer da vida.

Acontece que a sub-raça ‘ogrus flamenguistas’ traz consigo a forma mais dominante do gene do fanatismo por esporte. E adivinhem, amiguinhos voyeres?! Meu marido Ogro sofre desse grave problema genético.

Vocês não têm idéia o quanto eu sofro com isso! Morro de medo de passar esses genes adiante, imagina se meu filho Ogrinho nascer com esse problema?! Tem noção que minha casa vai se tornar um pântano vermelho e preto? Cruzes Credo, Deus me livre, Isola!!!

Mas voltando ao meu atual martírio, as crises de fanatismo são tão grandes que eu to até com medo de tomar ódio do meu ‘póprio’ time, o flamengo. Pra vocês terem uma ideia da gravidade dessa doença, vou contar sobre a primeira crise acontecida em público: a final da taça Guanabara – flamengo x botafogo.

Estávamos passeando na Lagoa Rodrigo de Freitas com alguns amigos, minha filhinha canina, minha mãe e minha sogrinha, quando notei a inquietação do meu Ogrinho. Ele olhava o relógio muito aflito e não sossegou até pararmos em um quiosque para esperar o jogo começar. Todos estávamos rindo e curtindo a tarde, quando meus amigos notaram que o botafogo tinha feito dois gols em cima do flamengo. Daí, danou-se! Sacanearam o Ogro o que podiam e o que não podiam. O mais surpreendente pra mim foi vê-lo quietinho, sem nada responder.

Pois bem, um tempinho depois, todo mundo estava mais bêbado e tinha esquecido totalmente do jogo, quando o flamengo conseguiu, magicamente, dar uma coça no botafogo. A cena que descreverei a seguir é forte e chocou todos os presentes não só na mesa, ou no quiosque, mas chegou também a parar alguns corredores, dois velhinhos que tomavam picolé, fez a nossa filhinha canina uivar e duas criancinhas chorarem. Eis a seqüência de atos do Ogro:

– Urrou: É gol, porra!
– Chutou a cadeira que estava na sua frente
– Socou peito três vezes
– Mostrou os dentes

– Derrubou as latinhas vazias da mesa
– Socou o peito de novo

– Grunhiu
– E ameaçou nossos amigos:
Fala agora, porra! Fala agora!

O que eu fiz? Perdoei lógico, afinal de contas, é patológico, tadinho!