Ser ou não ser urbano?

15 11 2010

Quem diz que a vida no interior é mais tranquila e saudável ou nunca viveu no interior ou nunca foi gay. Tempos atrás escrevi sobre a hipocrisia que impera em pequenas cidades e, na época, já concentrava meus esforços pra me mandar pra um lugar melhor maior. Pois bem, o dia da partida chegou. Meus esforços deram tanto resultado que, no final, eu pude até escolher meu destino. Assim vim parar na capital dos gaúchos…

Sair de uma vila com pouco mais de 5 mil habitantes e cair numa cidade com mais de um milhão é uma experiência bem interessante, mas meio frustrante também.  Acho que já aprendi a me virar com o transporte público, aprendi a atravessar ruas sem ser atropelado, consigo encontrar os lugares pra onde quero ir (thanks to Google Maps) e tenho me virado bem com o básico. Mas me sinto meio sem cultura por aqui. As pessoas falam sobre política, artes, conhecimento e todos esses assuntos interessantes de uma forma tão natural que eu me perguntava como isso era possível. Isso foi até eu perceber o motivo pelo qual a vida em uma grande cidade realmente vale a pena: as oportunidades que ela te dá de ser uma pessoa melhor. É só imaginar (e ter dinheiro) que você pode fazer o que quiser aqui. E o melhor de tudo: você pode ser o que você quiser ser. Ninguém dá a mínima. Ninguém quer saber. Ninguém se importa. O anonimato é outro desses prazeres que só quem vive em uma cidade grande pode ter.

Ah, sim, tem a violência, a poluição, o barulho, o trânsito caótico e todos esses fatores que contribuem pra uma vida bem estressante, mas isso tudo faz parte do pacote e, quanto mais eu me adapto com minha nova vida, mais eu tenho essa sensação gostosa que nunca antes tinha experimentado: a de que estou em casa.