Ser ou não ser inocente?

24 04 2010

Esta semana encontrei uma foto de quando eu tinha 5 anos de idade em um desfile de sete de setembro do meu primeiro ano numa escola. Minha memória é meio estranha, eu consigo lembrar detalhadamente do meu período de pré-escola, mas não lembro quase nada da minha adolescência. Em todo caso, minhas lembranças daquele ano são, em sua maioria, muito boas. O desfile, entretanto, não foi tão bom… Eu fazia parte da ala dos brinquedos e tive que desfilar com um chocalho muito feio que não combinava com minha calça branca e minha camisa de listras verticais brancas e vermelhas. Lembro da vontade quase incontrolável de estrangular o Eduardo para que eu ficasse com as cornetas. Pra meu azar ele foi colocado logo atrás de mim… Eu tava com muuuita raiva. Quem ia olhar pro cara do chocalho feio quando o Eduardo e suas cornetas vinha logo atrás?

Mas eu não poderia matar o Eduardo, ele era o único guri (além de mim) que não gostava de futebol. E, quando minhas professoras iam lá me tirar do meio das gurias pra me obrigar a jogar futebol, eu tinha a desculpa de dizer que não estava brincando com as meninas e sim com ele (funcionou algumas vezes).

Eu adorava aquela escola! Eu me sentia amigo de todos e era semi-popular. As professoras me adoravam porque eu era educado, inteligente, atencioso e muito comportado (não se iludam, eu só agia assim porque isso fazia bem pra minha fama).  A guria mais bonita era a Suélen e eu arrastava um caminhão por ela. Tinha também o Alexandre que vivia arrumando confusão e era detestado por quase todos, mas que, por motivos que só meu inconsciente deve saber, acabou se tornando meu melhor amigo. A Celo era uma menininha pobre e rejeitada pelas outras gurias. Era magrinha e tinha uma aparência frágil, mas era tão querida que, por mais que me dissessem que ela tinha piolhos, eu nunca consegui não gostar dela. Uns dois anos depois, quando me ensinaram que as pessoas eram diferenciadas pela cor da pele, descobri que ela era negra (até hoje me pergunto se as outras gurias já sabiam disso e esse era o motivo de não quererem brincar com ela). Havia também a Lu, que ia pra aula de vestido curto e sem calcinha. E tinha o depravado Léo (eu) que, sabendo do detalhe sórdido da coleguinha, a incitava a rodopiar como uma bailarinha só pra ver o vestido subir e… bem… vocês sabem.

Minha melhor lembrança daquela época, contudo, é a do meu primeiro crime premeditado. Uma bela tarde decidi que queria fazer algo de ruim e, faltando quinze minutos para o término das aulas pedi para ir ao banheiro. O banheiro tinha três privadas e havia uma porta para cada uma. Essas portas não chegavam até o chão, tinha um espaço de aproximadamente 20 cm (suficiente pra um cara magrinho como eu passar tranquilamente, mas quase impossível para a maioria dos meus outros colegas). E, sabendo disso, tranquei-as por dentro e saí por baixo. Fiz isso nas 3 portas e voltei pra sala com minha cara de menino inocente. Como a escola só tinha aulas no período da tarde, minha arte só seria descoberta no dia segunte e ninguém iria suspeitar de mim.

No dia seguinte… Antes de saírmos para o recreio, as professoras nos levaram até o pátio e nos colocaram em fila.  “Estamos muito decepcionadas com vocês!” Naquele momento eu soube que meu plano tinha sido perfeito. E o melhor de tudo: eu tinha certeza de que nunca ninguém desconfiaria da minha pessoa. Tudo o que eu precisava fazer era me manter lá, com aquela cara de menino inocente e, eventualmente esboçar alguma expressão de indignação com o que haviam feito no banheiro. Foi difícil, muito difícil! A vontade de rir era enorme! O momento mais difícil foi quando as professoras mostraram os dois guris que tiveram que ir fazer xixi no banheiro das meninas (minha sorte foi que quase todos riram também). Só não foi melhor porque eu não fui o escolhido para ser o herói a entrar por baixo das portas e abrí-las. Naquele dia perdemos metade do recreio, mas eu não me importei nem um pouco, pois eu soube que eu poderia fazer tudo o que eu quisesse que ninguém jamais supeitaria de mim, afinal, eu era o aluno exemplar.

Infelizmente esses meus impulsos para o crime foram sendo sufocados com o passar dos anos e eu virei um cara que realmente segue as regras e faz a coisa certa. Provavelmente porque eu sou um baita de um medroso… Mas a vontade de voltar a ser inocente como uma criança de 5 anos, essa eu não consigo sufocar…





Ser ou não ser criminoso?

12 04 2010

“Secretário de Estado do Vaticano liga casos de pedofilia ao homossexualismo”

Segundo ele, a causa da pedofilia não é o celibato, é o “homossexualismo”. Sim, pois homossexuais é que vão contra a natureza. O celibato não contraria em nada a natureza humana.

Eu tento, juro que tento respeitar e me manter neutro quando o assunto é religião, mas tem horas que o sangue ferve! Se não bastasse tudo o que a Igreja contribui para o ódio contra gays, agora eles nos acusam de sermos os responsáveis pela pedofilia?

É verdade que muitos pedófilos também são homossexuais, mas existem muitos outros que são heterossexuais. E aí, quando os caras abusam de menininhas indefesas, os gays são culpados de quê?

 

Gays e celibatários têm algo em comum: sua sexualidade é tida como algo errado, infame, demoníaco. Vamos ser honestos, quem pode desenvolver uma sexualidade saudável sendo bombardeado por essas palavras ao menor sinal de um pensamento “impuro”? Me parece natural que pessoas que moldam seus desejos dessa forma venham a ter algum tipo de problema com sua sexualidade. Infelizmente, muitas vezes, quem paga por isso são as crianças.

A Igreja só está colhendo o que ela mesmo plantou! Esses escândalos de pedofilia em que ela está envolvida deixam claro que ela tem culpa nisso. O celibato nos padres ou as perseguições aos homossexuais são a sua contribuição direta com muitos casos de pedofilia. E agora ela quer colocar a culpa na gente? Dando a entender que todos os gays são responsáveis pela pedofilia? Me desculpem, mas essa culpa eu não carregarei! Já foi chato demais crescer com medo de ir para o inferno, não vou passar o resto da minha vida com medo de ser um criminoso.





Ser ou não ser inseguro?

8 04 2010

Quando a personagem desta história foi morar em Curitiba e tudo começou a dar certo no campo profissional, ela decidiu que estava na hora de encontrar pretendentes a futuros genros de sua mãe.

Um detalhe interessante dessa guria é que, apesar de ser linda, inteligente e cheia de atributos que a tornam um espetáculo de mulher (sem esquecer das acrobacias que eu ouvi dizer que ela sabe fazer na cama), quando ela morava no interior, ela estava sempre sozinha. A minha teoria para explicar o paradoxo? Os homens daqui tinham medo dela. Não tinham coragem de chegar nela porque a achavam demais pra eles (e, honestamente, eles tinham razão…).

Felizmente os homens de Curitiba eram mais seguros de si e, em poucos dias, ela já tinha conhecido vários pretendentes. Jovens de futuro promissor, inteligentes, bonitos, outros não tão jovens assim, morenos, loiros, latinos, europeus, orientais… Mas teve um que a atraiu de maneira diferente. Bonito, bom papo, tinha mestrado, falava 3 línguas (estava aprendendo a quarta) e os braços… Ah, os braços… “Ele tinha os braços ‘coisiadinhos’, sabe? Era esse! Tinha que ser esse! Encontro marcado, melhor roupa, melhor perfume, tudo mais que as mulheres fazem naquelas quatro horas que antecedem um encontro e, finalmente, ela estava pronta.

E ele? Um  verdadeiro gentleman! Pontualíssimo, no horário combinado foi buscá-la, abriu a porta do carro para ela antrar (que fofo!) e foram em algum desses lugares legais que os homens levam as mulheres antes de levá-las para o motel. Antes de saírem do carro, no entanto, algo chamou a atenção da nossa heroína: seu acompanhante estava colocando algum tipo de corrente  na direção do carro. “Tenho medo de que roubem o meu carro” se explicou ele.

O jantar foi ótimo, a conversa agradável, eles tinham mais em comum do que ela poderia imaginar e ele era tão encantador, tinha uma charme tão diferente dos outros caras. Mas, definitivamente, esse não seria o genro de sua mãe.

Na sua cabeça uma voz gritava: “CORRENTES NO VOLANTE NÃO!!!!!”





Coluna ‘Enfim, sós’ – Mas o que a Tati faz mesmo?

1 04 2010

Bom, algum dia eu tinha que aparecer, né não? Fiquei tão inspirada com os dois últimos posts do meu amiguinho de destilaria, que resolvi dar as caras aqui também.

Dessa vez, eu vou falar de um assunto que tem sido foco da minha vida nos últimos dois anos: meu trabalho. O mais engraçado disso é que a maioria das pessoas da minha família e amigos não fazem ideia do que eu faço da vida.

Veja minha avó, por exemplo, ela vai saber falar direitinho sobre a profissão de todos os outros netos: um está se formando em medicina, dois em engenharia, a outra neta será advogada, mas e a Tati, o que ela faz mesmo?

Pois é… eu sou praticamente o Chandler da minha família, ninguém consegue lembrar o que faço da vida. No começo, eu achava uma injustiça, que as pessoas só valorizavam as profissões clássicas, os famosos anéis de doutores.

Depois, com um tempo, eu me dei conta que a culpa é nossa. Nós, profissionais de comunicação, somos especialistas em vender produtos, serviços e promover marcas, mas as pessoas pouco conhecem sobre nosso trabalho. Não sabem o que é a vida em uma agência de comunicação, não entendem o que é marketing, não sabem que publicitário não é apenas o cara que faz comercial na TV… Se entrarmos no quesito Mídias digitais, então, o povo já fica logo com aquela cara de ‘whathefuck?’, que dá até preguiça de explicar.

Enfim, não dá pra esperar que minha mãe entenda ‘o que eu tanto faço, que vivo em reunião’, ou então que meus amigos compreendam que não é por vontade minha que não escrevo, telefono, mando SMS, mensagem de voz, sinal de fumaça, ou que meu marido não ache que seja fácil pedir uma folga, já que virei 3 noites seguidas, trabalhei o carnaval inteiro, finais de semana e afins.

Ninguém entende nada disso porque, quando as pessoas pensam em publicitário, a imagem que elas têm é daquele cara que ganha 20 mil por mês pra trabalhar da praia, ficar pensando em bobagem, ter idéias brilhantes para marcas multimilionárias e que vive ganhando prêmios, como um popstar. Eu bem que queria ser esse cara, aliás, todos que escolhem essa profissão na hora do vestibular também sonham com esse emprego… O problema é que ele não existe e, se existir, é para poucos 1% , estes, sustentados pelos outros 99% que seguram a onda e colocam a mão na massa

Só quem trabalha com comunicação e, em especial numa agência, sabe o que a gente passa no dia a dia, compreende as durezas dos prazos absurdos, o caos das concorrências e licitações, os clientes enlouquecidos e enlouquecedores, o frio na espinha quando chegam os pedidos de alterações e todos aqueles momentos dolorosos do ‘se fode ai’.

Mas também só a gente consegue entender a delícia do ambiente em que trabalhamos, onde é normal chegar de havaianas (quando não tem visita de cliente, é claro), onde podemos fazer aquela reunião de brainstom num barzinho, levantar da cadeira e dançar funk pra descontrair e compartilhar aquela sensação de dever cumprido quando recebemos um ‘tapinha’ nas costas e ouvimos aquele grito ‘fechamos a conta!”.

Pra resumir, é um trabalho de corno, mas eu amo muito tudo isso: