Ser ou não ser especial?

31 10 2009

TatiO post de hoje é um post “baba ovo”, “paga pau” e cheio de outras expressões que indicam que eu tô colocando alguém no pedestal mais alto. Mas… Para que ninguém fique achando que eu tô fugindo da minha função de viadinho do blog, vou tentar contextualizar…

Existe uma verdade universal que diz que todo gay precisa de uma melhor amiga. Fato! Gays que não têm uma melhor amiga são chatos e sem noção. É verdade que ao longo da nossa odisséia muitas gurias vêm e vão… Todas sempre muito importantes e com direito a um pedestal bem bonito e ornamentado. E a primeira delas, assim como nosso primeiro amor, não pode deixar de ter um destaque especial. Logo que eu descobri que preferir olhar para os guris ao invés de olhar para as gurias era algo de caráter irrevogável (já contei a história aqui) eu pensei que estaria tudo bem se eu nunca contasse a ninguém… Eu só não achei q seria tão difícil não contar a ninguém… Outra verdade universal é que nós todos precisamos de alguém pra ouvir nossas lamúrias. Consegui ficar dois anos sem falar sobre isso e nesse tempo eu conversava com uma guria que eu conheci de maneira inusitada e que era uma figurinha muito divertida. Eu já estava decidido de que se algum dia eu fosse contar a alguém sobre o meu “desvio” seria pra ela e, quando ela me disse que tinha um segredo bem sério pra me contar eu respondi a ela que eu também tinha um. Fizemos uma troca… Mas o segredo dela nem era tão sério assim… Ok, na época era… Não vou contar pra vocês porque eu prometi que nunca contaria a ninguém (sorry, é nosso acordo!). A reação dela foi melhor do que eu imaginava: “Não posso mentir pra você, não entendo muito sobre isso, mas prometo que vou fazer de tudo pra entender. Apenas lembre de que tudo que a gente faz e sente é da nossa natureza, então, relaxa. E eu sempre vou apoiar você.”

Depois disso eu não tinha mais dúvidas do quanto essa guria era especial pra mim. E ela realmente fez e faz diferença! Ela é aquele tipo de pessoa que quando coloca uma coisa na cabeça não sossega enquanto não vê tudo realizado, faz mil coisas ao mesmo tempo, ta sempre tendo idéias revolucionarias (e não tão revolucionárias assim), consegue ver o lado positivo de tudo, (mas gosta de dar ênfase ao lado negativo porque se ninguém reclamar as coisas nunca vão mudar), consegue fazer as pessoas rirem mesmo sem contar piada (algumas coisas só acontecem na vida dela!), tem muuuuita sorte (porque apesar de todo o talento pra arranjar cafajestes ela arrumou um marido honesto e trabalhador que, apesar de não lavar copos, se prontifica a fazer alguns serviços domésticos). Ela também é meio neurótica (a noite de domingo em que ela cismou que tava grávida…).E é Flamenguista… Mas não vamos prestar atenção em pequenos defeitinhos, né?

Eu sei, eu sei, estão todos querendo uma amiga assim, né? Eu sou bem ciumento e egoísta, por mim eu não dividiria ela com ninguém, mas hoje estou generoso, então, se quiserem conhece-la melhor, é só clicar aqui ou aqui (mas vou logo avisando que o amigo gay dela sou eu e não aceito concorrência!). E aproveitem pra desejar a ela um FELIZ ANIVERSÁRIO!

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Ser ou não ser do interior?

20 10 2009

vacaPara a maioria das pessoas, morar no interior significa morar longe do litoral em uma cidade com 80 a 100 mil habitantes. Pra mim, morar no interior significa morar em uma cidade com 7 mil habitantes (e beeeem longe do litoral).

Existe uma lenda que diz que a vida no interior é mais sossegada, as pessoas são menos individualistas, menos estressadas e mais felizes. É verdade que em lugares assim você vai da sua casa até o seu trabalho em menos de 20 minutos, o transito não é nem um pouco complicado (quase não existe), você pode cumprimentar todas as pessoas que encontra na rua (porque todos conhecem todos) e pode ter uma vida bem tranquila e sossegada. Desde que você não fuja do padrão! E essa é a parte difícil pra qualquer pessoa que se atreve a pensar diferente (na realidade nem precisa tanto, só pensar e questionar já é suficiente). Cidades pequenas são lugares parados no tempo, altamente conservadores e resistentes a qualquer tipo de mudança. Se você quiser viver feliz em lugares assim você precisa pensar como a sociedade dos grandes centros urbanos pensava em 1943. Não pergunte, não duvide, obedeça, seja um exemplo de cidadão, siga todas as indicações, jamais diga que o governo militar não foi um bom governo (porque naquela época não existiam vadios) e, principalmente: não seja gay!

A verdade, entretanto, é um pouco diferente dos pressupostos positivistas que regem o comportamento dos interioranos. As mesmas mulheres que condenam a filha da vizinha por estar grávida e ser solteira, são as que levam homens para seus quartos enquanto seus maridos estão viajando. Os cidadãos de bem que não perdem uma missa no sábado à noite, saem da Igreja e correm pra disputar um dos dois travestis que trabalham na saída da cidade (afinal, se você come um viado, você não é gay, então isso pode). Isso entre diversas outras histórias que só quem vive no interior tem o privilégio de conhecer. E, acredite, mesmo que você não dê a mínima para o que os outros estão fazendo, você sempre saberá de tudo, porque o que menos falta em lugares desse tipo são aquelas solteironas de meia idade que passam o dia cuidado da vida alheia pra depois correr tomar um chimarrão na casa do vizinho mais próximo e contar tudo, detalhe por detalhe, do que acontece de pior na vila em que você vive.

Eu tentei, juro que tentei me adaptar ao modo de vida desse lugar. Também tentei não ser gay. Mas não consegui nem um nem outro. Mesmo que eu não fosse gay eu não me adaptaria… Não sigo as indicações (mas leio todas), sempre duvido de tudo e estou longe de ser um exemplo de cidadão. Mas acho que foi bom eu não conseguir me adaptar, pois esses lugares são capazes de nos corromper e podemos terminar acreditando que não somos capazes de nada e que devemos ser como todo mundo pra que sejamos respeitados.

Cheguei a acreditar que o problema fosse comigo, afinal, eu é que estava fora dos padrões e esse devia ser o motivo pra eu não conseguir fazer amizades aqui. Felizmente, antes de eu deixar de pensar e me tornar mais um cidadão comum de um lugar comum no meio do nada, conheci pessoas fora da bolha e percebi que eu não estava tão errado assim… Infelizmente, depois de tanto tempo no interior, tornar-se urbano pode ser um pouco difícil. E o grande problema é que no final, não importa o quanto você se esforce, você sempre será um pouco interiorano…





Coluna ‘Enfim, Sós’ – Rio 2016: eu queria?

16 10 2009

Rio2016Olá amiguinhos voyeres! Depois de mais uma semana sumida, estou de volta ao posto de Destiladora de Venenos, até porque desse osso eu não largo nem ‘podendo’.

Os motivos do sumiço são os de sempre: muito trabalho, pouco sono, nenhum dinheiro… Enfim, já que papai do céu não me fez assim, tenho que correr atrás do jeito tradicional, né mesmo?!

Bem, fiquei em dúvida sobre o que escrever nesse post até porque meu maridinho Ogro tem se comportado como um lord inglês desde minha recente convalescença. Essa semana, então, ele foi especialmente romântico porque comemoramos nosso aniversário de um ano de casamento. Portanto, estou sem histórias recentes pra contar.

Decidi, então, aproveitar para comentar aqui o último post do Leonardo sobre as Olimpíadas 2016, já que esse assunto gerou tanta controvérsia entre meus amigos.

Confesso que até minutos antes do resultado sair, eu não conseguia decidir se torcia ou não para o Rio ser escolhido sede. Não me levem a mal, é lógico que queria que a minha cidade recebesse todo aquele investimento, tinha até esperança do Rio ser a próxima Barcelona, que foi totalmente revitalizada e até hoje colhe frutos dos investimentos feitos durante as Olimpíadas de 1992. Mas ao mesmo tempo eu não podia deixar de ouvir o diabinho venenoso que soprava no meu ouvido me lembrando o que pode acontecer com todo aquele dinheiro: ta lá o elefante branco da Barra da Tijuca pra mostrar do que a prefeitura carioca é capaz.

De qualquer maneira, no dia da decisão eu lembro de me sentir um etezinho no meio dos meus colegas de trabalho que se apinhavam em frente à televisão torcendo pelo Rio com toda a convicção. Mas a sensação não durou muito tempo, bastou passar aquele vídeo lindo da nossa candidatura pro meu coração carioca falar mais forte e eu começar a torcer junto com a galera. Que eu podia fazer? Brasileira que sou não resisto a uma final verde amarela.

Quando aquele gringo esquisitão virou o cartãozinho e falou ‘Ruîo de Jãneiruo’ vibrei e pulei junto com todo o escritório, Paul Rabbit e Lulinha Maravilha. Quem diria! Euzinha defendendo a mesma causa de Eduardo Paes e Sérgio Cabral… Nunca digam nunca, amiguinhos.

Enfim, a moral da história é que estou feliz pelo Rio ter conquistado essa oportunidade e fiquei mais confiante ainda depois de ver as fotos do projeto de preparação da cidade. No papel está tudo muito bonito e é reconfortante saber que temos a Prefeitura, o Governo do Estado e a Presidência da República aliados para o mesmo fim. Só espero que até lá essa união dure,  até porque ainda temos 7 anos pela frente e um histórico centenário de promiscuidade política.

Boa sorte para nós cariocas… com certeza iremos precisar!





Ser ou não ser do país dos contrastes?

7 10 2009

rio_2016O Brasil realmente é um país estranho… Ou eu é que sou um brasileiro estranho… Acho que nenhum outro país seria capaz de, no mesmo dia, me fazer sentir vergonha e orgulho da minha terra.

A semana passada foi uma dessas semanas em que meus sentimentos patrióticos foram levados aos seus extremos (tanto negativos, quanto positivos). Primeiro foi com a prova do ENEM e o fiasco da falta de segurança para a estreia de um novo sistema de ingresso às universidades que promete substituir o vestibular. Mas, se de um lado minha indignação era total; de outro, eu pensei sobre como foi bom o fato vir a público e como o ministro da educação agiu de maneira rápida e correta pra evitar maiores danos. Algumas décadas atrás seria tudo abafado e, se algum jornalista metido a besta ameaçasse denunciar, certamente sofreria um acidente fatal… É claro que o mérito nessa história toda é dessa classe de profissionais chatos que vivem importunando todo mundo e que (apesar de ainda sofrerem com a censura) são grandes responsáveis por este país estar se tornando um lugar sério.

E quando minha vergonha de viver em um país que não consegue dar segurança adequada nem para o primeiro ato da grande revolução da educação estava quase desaparecendo, um tiozinho lá na Dinamarca abre um envelope e pronuncia, com aquele sotaque gringo super divertido: “Rio de Janeiro”. Como não me sentir orgulhoso por viver no país onde fica a Cidade Maravilhosa? Que o Rio de Janeiro merecia isso ninguém discute: praias, Cristo Redentor, Pão-de-açúcar e eu vou parar de listar esses pontos turísticos comuns porque com certeza há muitos outros lugares lindos nessa cidade. Meu carinho pelo Rio, contudo, é um pouco mais pessoal, gosto dessa cidade não pelas suas belezas naturais, mas por alguém de quem eu gosto muito que nasceu e vive lá e que me faz acreditar que o povo do Rio é assim, divertido, meio neurótico, bastante culto, um pouco estressado, bem-humorado, crítico, amigável e muito, muito especial. E pra mim o Rio é isso: a cidade da Tati. A cidade que vai representar o meu país em um evento mundial e que, com certeza, vai me encher de orgulho por ser brasileiro.

Entretanto… No país dos contrastes, os sentimentos contrastantes me fazem lembrar que com Copa do Mundo e Olimpíadas muita festa e muita grana vão rolar… A festa a gente fará (vamos beber até cair e prometemos não dirigir depois!), mas a grana, baseado no histórico dos fins que leva o dinheiro público, como ficará?