Ser ou não ser conservador?

28 07 2009

ApertadoMenComo saber que você está ficando velho (e chato)? Preste atenção ao que as pessoas estão fazendo ao seu redor e, se você ficar indignado com o modo de vida de algumas delas, você corre um sério risco de estar entrando para o clube dos chatos moralistas conservadores que tanto te irritavam alguns anos atrás.

Faz pouco tempo que resolvi mergulhar um pouco mais fundo no mundo gay. A primeira balada GLS que eu tive coragem de ir foi em uma cidade beeeem longe daqui. E isso foi no começo deste ano. Depois da primeira experiência foi mais fácil encarar e fui em mais duas (numa cidade aqui perto). Em todas elas enfrentei situações em que eu fiquei sem saber direito como agir, mas na última, quando eu achava que nada mais me surpreenderia, percebi que nunca vou me acostumar com esses viados pervertidos.

Entre homens beijando homens, mulheres beijando mulheres, pessoas de sexo indefinido e pessoas tirando a roupa, tinha algo que me incomodava: eu precisava mijar ir ao banheiro! O problema é que o banheiro estava ocupado. Por várias pessoas. Que não estavam fazendo o que as pessoas costumam fazer em banheiros. Eu poderia até tentar aliviar a pressão na bexiga por lá, mas e o medo de ser estuprado? Não sei onde foi que eu parei de me modernizar, mas até pouco tempo atrás “dark room” era o local onde os mais apressados faziam sexo. Quando foi que mudaram as atribuições do banheiro? Eu cresci vendo o banheiro de uma maneira e agora me dizem que ele é a última tendência em “templos da fornicação”? Definitivamente estou ficando velho… E meu esfíncter urinário se nega a relaxar quando existem pessoas fazendo sexo do meu lado. Felizmente sou homem e pra resolver minha situação foi só ir pro lado de fora e achar um canto escuro qualquer… Mas e se eu fosse mulher?





Coluna ‘Enfim, sós’ – Longe de mim, suína!

23 07 2009

A filosofa Bridget Jones

Como dizia a filósofa Bridget Jones, ‘É uma verdade universal que quando uma parte de sua vida começa a ir bem, a outra cai aos pedaços’. Algo próximo está acontecendo comigo. Antes de mudar de emprego, minha vida profissional tava meio blasé e nunca sobrava um dinheirinho, mas, em compensação, estava seguindo uma dieta regrada, consegui perder peso, parei de fumar, estava indo bem na pós-graduação, via sempre meus amigos, até tinha tempo para atualizar minha coluna aqui no blog sem problemas e estava saudável toda vida.

Agora que estou de emprego novo, minha vida profissional está às mil maravilhas, mas todo o resto anda meio afetado: danou-se a dieta (maldita kopenhagen!), já recuperei um quilo, quase acendi um cigarro (quase mesmo), entreguei o último trabalho da pós nas coxas, meus amigos estão achando que eu morri e esse é o meu primeiro post em duas semanas.

Só faltava a minha saúde começar a despirocar. Faltava… Eu tenho certeza ‘bi-ço-lu-ta’ que eu vou ficar gripada ainda essa semana. E não é qualquer gripezinha, não! É daquelas que derrubam Ogros, meus amigos voyeres! Pra vocês terem uma idéia, meu Ogrinho ficou três dias de cama semana passada por causa de uma gripe doida que ele pegou. Os médicos disseram que não era a tal suína, mas do jeito que minha vida anda, to apelando pra tudo quanto é anti-gripal do mercado (de vitamina C a suco contra gripe). Se meu Ogro que é todo resistente arriou, imagina eu que sou derrubada por qualquer resfriadinho safado?!

Anyway, enquanto num gripo, vou aproveitar que to me acostumando com a rotina nova e vou começar a botar ordem nessa bagunça que anda minha vidinha. Pelo menos, tenho boas notícias: minha faxineira amada retornou de suas férias e está proibida a me abandonar por, no mínimo, 10 anos, minha filhinha canina chega aqui em casa nesse final de semana, o blog bombou semana passada com o último post do Léo e, a melhor de todas, hoje já é quinta-feira, minha gente!

Pra finalizar, vou tentar fazer minhas as palavras da guru Bridget Jones: ‘Nova resolução: perder peso… e beber menos… e parar de fumar… e parar de falar besteira para estranhos… na verdade, parar de falar de uma vez!’ =P





Ser ou não ser um pecador?

11 07 2009

1247351235782Estava eu andando distraidamente pela praça de uma cidade vizinha quando um jovem me abordou e, educadamente, me perguntou se podia me entregar um jornal.

Claro! – Respondi.

O jornal em questão era a “Folha Universal”. Na capa, a polêmica sobre um menino nos Estados Unidos que quer ser menina. Fiquei levemente irritado por imaginar o conteúdo da reportagem. Algumas pessoas traduziriam esta reação como: “satanás soprou no meu ouvido que eu devo sentir ódio de Evangélicos”. O que não é verdade, porque eu jamais sentiria ódio (faz mal pro músculo cardíaco). Ao me entregar o jornal o jovem aproveitou pra me fazer um convite: uma reunião que aconteceria na Igreja algumas horas mais tarde. Foi nessa hora que satanás soprou novamente no meu ouvido. Por acaso eu estava de óculos na hora do convite e não resisti:

A Igreja não é o local onde fica o altar do Senhor?

– Sim.

Obrigado pelo convite, mas eu uso óculos, não poderei comparecer.

Percebendo que ele ficou com cara de quem não tinha entendido nada, concluí:

Na Bíblia tá escrito que pessoas com problemas de visão não podem se aproximar do altar do Senhor. E nós não queremos desrespeitar a palavra do Senhor, né? Seria um pecado… Uma abominação!

– Todos são bem-vindos na casa do Senhor – rebateu ele (e tenho certeza de que ouvi satanás soprando no ouvido dele também).

Até o meu amigo gay? (eu não ia dizer que o gay era eu porque seria queimado ali mesmo… Gay e com problemas de visão? Muita coisa pra uma pessoa só…)

– Ele também seria bem-vindo e tenho certeza de que poderia ser ajudado na nossa Igreja.

Vocês o ajudariam respeitando a condição dele ou tentando curá-lo sob os argumentos de que ele é uma abominação?

Como ele demorou mais de 5 segundos pra me responder usei meu melhor sorriso “continuarei a te respeitar mesmo assim”, devolvi o jornal e segui o meu caminho.





Coluna ‘Enfim, sós’ – O Exorcismo do Hulk

8 07 2009

Hulk fêmea

Meu maior defeito definitivamente é a ansiedade. Eu tenho a teoria de que herdei essa particularidade da família do meu pai. Sei que ansiedade não é uma característica genética, mas como se explica o fato de que todos da família sofrem, em igual escala, desse mal? Coincidência? Criação?

De qualquer maneira, o fato é que somos pessoas extremamente ansiosas e todos, de uma forma ou de outra, terminamos por canalizar essa nossa ansiedade de formas diferentes, mas, em todos os casos, muito prejudiciais à saúde. Alguns comem e compram compulsivamente, outros fumam horrores e são extremamente irritáveis. No meu caso, acho que reúno, mesmo que em menor escala, todas essas características.

A coisa fica pior quando passo por períodos de estresse, como é o caso do momento que estou vivendo agora: mudança para um novo emprego. Só que a atual conjuntura ainda apresenta um agravante, pois, aproveitando o início da vida a dois, decidi cortar todos os maus hábitos do passado. Em outras palavras, parei de fumar, estou de dieta, indo à academia regularmente, economizando e bebendo apenas socialmente.

Resultado? Pirei na batatinha. Sério, amigos voyeres, a coisa tava preta. Pra vocês terem uma idéia, nesse final de semana meu marido Ogro ficou na dúvida se me internava ou chamava um exorcista: Foram ataques histéricos sem motivo aparente, choros convulsivos, patadas distribuídas à Bangu, crises existenciais e períodos longos de hibernação. Sábado consegui dormir incríveis 16 horas, interrompidas apenas pelo almoço.

O pior de tudo é que eu só me dei conta que eu estava ensandecida pela ansiedade quando, domingo de noite, meu marido Ogro comentou que assistiu um filme na tv à cabo que o lembrou muito de mim. Adivinhem qual era? ‘O incrível Hulk’.

Temendo pela minha sanidade, iniciei a semana afrouxando um pouco meus planos para uma vida mais saudável: almocei um pesado prato de comida japonesa, caprichando, sem dó, nem piedade nos hots, comprei um vestido liiindo que estava namorando há séculos e ataquei sozinha  3 garrafas de cervejas que estavam aniversariando na minha geladeira.

Prognóstico? Totalmente curada.





Ser ou não ser feliz?

2 07 2009

feliz?Fato: eu sou feliz! Gosto dessa condição, sei que a mereço e pretendo continuar assim por muito tempo. Contudo, a felicidade, eventualmente, pode ser bastante chata. Principalmente quando você não apenas É feliz, mas ESTÁ feliz.

Sabe aquelas pessoas que ficam sorrindo o tempo todo, falam com voz quase musical e pregam que tudo no mundo é maravilhoso? Essas pessoas não são detestáveis? Pessoas felizes demais me incomodam.

E o problema de hoje (que já vem se arrastando por alguns dias) é que estou me sentindo feliz demais… Isso me irrita! E não é porque eu sou daqueles que adoram se lamuriar e mostrar como tudo dá errado na minha vida  pra fazer todos terem pena de mim (aliás, outro tipo de pessoa detestável). É irritante me sentir feliz porque eu fico completamente improdutivo, afinal, pra quê me esforçar pra ter uma vida melhor se eu já sou feliz? Por que eu ficaria horas estudando pra poder fazer algo que melhore o mundo se o mundo já é maravilhoso? Até meu sarcasmo e meu cinismo desaparecem! Fico compreensivo: aceito que pessoas burras são fruto de uma sociedade que ainda não chegou no seu estágio máximo de evolução, mas que caminha pra isso, e, por fazer parte dessa transformação, me sinto um privilegiado por viver nesta época. Meu senso estético (que já não é grande coisa) desaparece completamente: acho tudo bonito. E nesse achar tudo bonito é que mora o perigo:  “Você lembra por que eu não queria sair com ele? Ah, sim… Porque ele não me atrai. Mas ele fica tão bonitinho com roupas de inverno…”

Preciso de um inibidor de serotonina!!! Ou de alguém que me provoque, me desafie, me mostre que o mundo não é tão maravilhoso quanto eu estou pensando que ele é. Porque eu sei que ele não é, mas felicidade é emoção e com emoções não adianta ser racional.