Coluna ‘Enfim Sós’ – Amélia é que era uma fdp!

17 06 2009

Housewife_by_woahhhitsamanda

O novo post ‘Machismo na França, escrito pela nossa correspondente venenosa, Amanda, em seu blog ‘Petit Journal de la Porte Dorée’, me causou insônia ontem. Na verdade, o que aconteceu foi que durante todo o dia agitado que eu tive ele ficou guardadinho no meu inconsciente e só se manifestou no momento em que eu deitei minha cabecinha linda e loira no travesseiro.

Foi naquele momento que as declarações ‘os homens franceses fazem tarefas domésticas… Eles limpam a casa, lavam a roupa, fazem comida, tanto quanto a mulher’ e ‘Aqui não tem essa historia de ‘dupla jornada’ feminina não’ me deixaram fula da vida por ter nascido brasileira e burra. Sim, meus amigos voyeres, burra! Porque até eu começar a matutar essas declarações, eu estava satisfeita e contente por ter dado conta de uma imensa quantidade de roupas para passar, que tinham se acumulado no feriado, em tempo de ter 5 horas de sono (deitei às 2 da manhã). Eu não estava nem puta por ter ficado com bolhas d’água na mão e dor nas costas.

Sou ou não sou uma besta quadrada? Enquanto eu me acabava na tábua de passar, meu digníssimo marido Ogro já estava no seu vigésimo sono e, inclusive, não queria ser perturbado no quarto, portanto, eu que guardasse as roupas na pontinha do pé.

Pensem comigo: trabalho tanto ou mais que ele e estudo à noite a mesma quantidade de horas que ele. Por que, então, a tarefa de passar aquela quantidade enorme de roupa não foi dividida irmãmente? Se a gente ficasse responsável cada um por sua roupa já seria um adianto danado. As camisas sociais dele são ‘’ para passar, quando você termina um lado, a porra do outro lado já ta todo amassado. Um inferno!

O mesmo vale pra faxina e pra comida. Passo minhas sagradas horas do final de semana que nem uma Amélia, me dividindo entre o fogão e o esfregão. O máximo que ele faz, mesmo assim no tempo dele (que é sempre depois de algum jogo de futebol), é estender uma roupa e secar o banheiro. E vamos combinar que isso num dá trabalho nenhum, kct!

Enfim, sou uma burra e a sociedade brasileira é escrota toda vida. Porque se eu começar a fazer escândalo exigindo direitos iguais dentro de casa e me recusando a levantar da cama em tempo pra arranjar o almoço do Ogro, eu vou ser taxada de preguiçosa que não cuida do marido direito. ‘Quê que tem fazer uma faxininha e passar uma roupinha enquanto sua faxineira de uma vez na semana está de férias?’, minha mãe me pergunta. Até minha ‘pópria’ mãe fica contra mim… E o Ogro repetindo animadamente o que a vovó dizia pra ele: ‘Em casa que tem mulher, homem não trabalha!’.

Tô lascada mesmo, só Jesus na minha vida!

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4 responses

17 06 2009
Amanda

Amiga, toma uma atitude! Nao é pq a sociedade é machista que dentro da sua casa tem que ser tbm. Imagina quando os pimpolhos chegarem e passarem a observar como as coisas funcionam na familia, vai querer botar mais machistinhas no mundo? Essa mulher moderna que se orgulha de dar conta sozinha da rotina de trabalho, familia e limpeza da casa é ainda MAIS SUBMISSA do que a Amelia daqueles dias, so que ela não vê!

18 06 2009
Ser ou não ser brasileiro? « Destilando Veneno…

[…] o último post da Tati (‘Amélia é que era uma fdp’)! Sabe que o texto ‘Machismo na França’ da nossa correspondente venenosa, Amanda, também […]

19 06 2009
Fern Lima

Sempre achei que a culpa do machismo era principalmente das mulheres, em especial, as MÃES. Vai uma delas ver q seu filhinho lindo e adorável está brincando de bonecas e não de futebol, por exemplo, pra ver se logo ela não vem com jeitinho tentar convencê-lo de que ‘aquilo não é coisa de menino’ e tenta enfiar o garoto numa escolinha de futebol ou num projeto espartano para futuros pit boys? O pai, como vive num mundo particular, só participa da educação das crianças o tanto que a mãe o permite fazer, portanto cabe à mulher SIM mudar as coisas na família brasileira. Todos sabemos que na atual família tradicional é sempre a mulher o cérebro da casa, até pq o marido está mt mais interessado em manter-se empregado e com dinheiro no bolso e nos finais de semana poder ver seu futebol em paz sem ser perturbado, na companhia daquela deliciosa cervejinha.

É isso aí, abaixo às vovós e mamães machistas! Vamos reinventar um novo padrão de família neste país. E entendo como família todos os tipos: homem com homem, homem com muher, mulher com mulher, casais divorciados com filhos de outros casamentos e por aí…

Bjo, Tati. Adorei o texto!

22 06 2009
Coluna ‘Enfim, sós’ – Como educar um Ogro « Destilando Veneno…

[…] o post de hoje para minhas amigas voyeres que tanto se revoltaram com o meu último desabafo ‘Amélia é que era uma fdp’. Elas me inspiraram a fazer um tratamento de choque com meu marido Ogro para ele começar a […]

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