Já é natal no Destilando Veneno…

23 12 2009

Sim, já é natal na leader magazine aqui no blog, até porque os shoppings e supermercados estão um inferno e temos presentes e ceia pra comprar…. Portanto, já fechamos pro feriadão!

Então, deixamos aqui nosso votos de um natal muito venenoso e saboroso para nossos voyeres e esperamos que curtam muito, comam sem culpa, mas manerem na bebida pra não acabar como o papai noel ai de baixo:

Ho-ho-ho-ic!





Ser ou não ser palhaço?

4 12 2009

Que homem é tudo palhaço a gente já sabe, mas que tem mulher competindo de igual pra igual no quesito de líder do picadeiro, só vendo pra crer.

Fazia uma semana que aquela guria tinha começado a conversar comigo nos intervalos entre as aulas. Tínhamos um amigo (gay) em comum e, segundo ela, como ele sempre falava muito bem da minha pessoa, ela ficou interessada em me conhecer… (até hoje fico imaginando o que foi que ele falou pra ela). Certa noite esse amigo apareceu na minha sala de aula com um guri bem gatinho que ele tava “pegando” e, com eles, a palhaça em questão. Meu amigo me puxou pra um canto e disse:

- A menina não parou de falar de você a semana inteira, quer ficar contigo. Vamos jantar. Nós quatro. Agora.

[Perder ou não perder aula pra dar uns pegas na guria?]

[Perder!]

 -Vambora!

E lá fomos nós jantar em um restaurante novo na cidade. Conversa vai, conversa vem… Saudades do meu amigo que tinha ficado dois meses fora. A guria dando todos os sinais de que realmente tava afim. O ficante do meu amigo se integrando facilmente ao grupo. Um cara bonito entra no restaurante. Sensação de que o conheço… Ah! Claro! Conheço-o muito bem! [cidade pequena é foda] Voltando à guria: tá na hora de ir ao que interessa. Terminado a jantar, já em um lugar mais discreto, quando eu fui beija-la… Ela virou o rosto. A FILHA DA PUTA MÃE VIROU O ROSTO!

- Acho que você não me entendeu direito – disse a palhaça.
- Realmente, não entendi nada. [Como assim sua biscate? Ficou me dando mole a semana toda e agora faz isso?]
 - É que eu não quero brincar com os meus sentimentos. [Seeeeeeeeeeeeeei!!!!]
 - Não tô pedindo pra você gostar de mim. Era só um beijo! Ainda dá tempo de você mudar de idéia.
- Não, eu não sou assim [assim como?]. Me leva pra casa. [Eu devia era te deixar aqui e fazer você voltar a pé sua piranha!]

 Levei a palhaça pra casa. (porque eu sou educado)

 Na noite seguinte… Eu estava conversando com um guri bonito que estudava comigo quando alguém me puxou pro lado com tamanha força que quase me derrubou:

- A gente precisa conversar!  [Sim, a palhaça voltou!] Acho que houve um mal-entendido ontem.
- Tudo bem. Eu entendi mal, não tem o que explicar. [tudo bem o caralho!]
- Vamos lá fora conversar. [lá fora?]
- Eu tenho aula. [me fazer de difícil, né?]
- Por favor, eu preciso te explicar o que aconteceu. [eu tô entendendo errado outra vez ou agora ela realmente ta afim?]

Lá fora:

- Vamos pra um lugar mais reservado. [QUALÉÉÉÉÉÉÉÉ!!!!!!!!!!!!!!!!! Ontem tava se fazendo de virgem e hoje quer ir pra um lugar “mais reservado”???]
- Aqui não é reservado?
- Vamos pro teu carro. [HEIN!?]
- Ok.

No carro:

- Você não me entendeu ontem [acho que isso já ficou bem claro, não?]. Eu não sou dessas que sai com um cara e já vai pro motel com ele no mesmo dia. [sei...]
- Quem disse que eu ia te levar pro motel ontem? [você não vale tudo isso!]
- É que vocês homens são assim. E eu não sou dessas. [sei...]
- Na boa guria, você não tem que me explicar nada, você simplesmente não quis e eu jamais forçaria alguém a fazer algo que não quer. Sem ressentimentos. [Sem ressentimentos?! Me fez perder 3 horas da minha vida!]
- O que eu queria te dizer é que desde que me falaram de você eu já fiquei interessada em te conhecer [foi o que me disseram] e você é um cara muito interessante mesmo [agora me conte uma novidade]. Você é muito inteligente e isso me atrai muito em um homem [tô entendendo errado outra vez ou ela tá querendo dar pra mim?]. E eu sei que você é muito ocupado, eu também tenho uma vida muito corrida, mas acho que às vezes a gente precisa se distrair e fugir um pouco dessa rotina [eu assisto animes pra fugir da rotina]. Então, o que eu queria te propor é algo que vai contra todos os meus valores [que valores?], contra a minha religião [que religião?] e tudo o que eu considero certo [ela vai liberar!]. Eu queria te propor uma amizade colorida, tipo um relacionamento aberto. [MORRI!!!]
- Oh… [Essa eu definitivamente não tava esperando... Pense rápido! Pense rápido! Desse jeito não dá pra pensar rápido!]

Silêncio por alguns segundos… Na minha mente, a dúvida: Comer ou não comer?

- Não sei o que você acha disso, como eu te disse, isso vai contra todos os meus valores, mas seria uma forma de podermos aliviar as tensões de vez em quando [comer ou não comer?]. Não teria responsabilidade de namoro e quando você quisesse você poderia me ligar pra gente sair. Ou eu poderia te ligar [comer ou não comer?].
[NÃO COMER!]
- Mesmo não sendo um namoro existiria a responsabilidade [agora o virgem sou eu]. E como você já sabe, eu tô bem ocupado mesmo [verdade!]. E mesmo que não estivesse, isso não ia rolar. Eu não sou assim [aprendi com você!]. Agora eu preciso voltar, já é a quarta aula que eu to perdendo desde ontem [e você não vale o esforço].

[beijomiliga!]





Ser ou não ser descoberto?

26 11 2009

Testosterona

Segunda-feira. Tinha acabado de chegar na sala de aula e minha amiga queria saber sobre o guri com quem eu havia saído no final de semana:

-  Me conte! Me conte! Me conte!

- Agora não, todo mundo aqui, alguém pode ouvir. (viado enrustido é foda…)

- Mas daqui a pouco o professor já vai chegar… E no intervalo vai ter ainda mais gente… Eu pergunto e você responde! Pode ser? (fazendo cara de “por favor! Por favor! Por favor!”)

- Cuidado com o que você vai perguntar!

- Bonita?

- Muito!

- Alta ou baixa?

- 1,70m, mais ou menos.

- Gorda ou magra?

- Normal. Faz musculação, tá em forma.

- Cor dos olhos?

- Azuis.

- Aiiinn… Deve ser bem bonita mesmo! Cabelo curto ou comprido? (tava se empolgando)

- Curto.

- Com barba ou sem barba? (se empolgou)





Ser ou não ser romântico?

16 11 2009

homem_floresÉ tudo pelo sexo! Não importa o que você pense ou fale, nenhum argumento será capaz de mudar a realidade: no final das contas, só o que importa é o sexo. Então, já que é assim, pra quê perder tempo com a troca de olhares, a cantada, a conversa, a sedução e toda aquela formalidade que normalmente cumprimos antes do “acasalamento”? A resposta deve ser bastante simples: faz parte da nossa natureza, todos os animais têm seus rituais de cópula. Sendo assim, por que seria diferente com os humanos? Outra resposta simples: porque somos evoluídos, racionais e vivemos em um mundo onde ninguém tem tempo a perder.

Entretanto, por mais racional que o “ir direto ao que interessa” possa parecer, as coisas nem sempre acontecem assim e, quando acontecem, costumam deixar aquela sensação de que faltou alguma coisa. Acho que isso deve ser cultural. É nisso que dá passar a infância e a pré-adolescência vendo filmes onde só o amor conquista tudo. E, (in)felizmente, uma vez contaminado com essa idéia, você terá que aprender a conviver com ela.

Por evitar contatos sexuais imediatos, eu acabo sempre me envolvendo com românticos (e românticas) incorrigíveis. Mas, por mais encantador, bonito e digno de cenas de filme que nossos encontros possam ser, depois de algumas semanas o negócio começa a incomodar. Mel demais, sentimentalismo demais, felicidade demais… Planos de um futuro maravilhoso que aponta no horizonte justamente na hora em que o pôr-do-sol se mostra, como você nunca viu, em lindas nuances de lilás e violeta.  Pra piorar você descobre que é a causa da felicidade da outra pessoa. Como se você fosse uma espécie de herói medieval com capa e espada (!) montado em um cavalo com armadura, pronto para salvar a outra pessoa de tudo o que há de ruim no mundo. Pior que isso? Só mesmo quando você recebe flores… Aí o negócio já era! Ok mulheres, eu sei que vocês adoram receber flores, principalmente quando vocês estão junto com as amigas e aquele buquê de rosas vermelhas cintilantes chega de surpresa, mas poucas coisas nesse mundo me são mais broxantes desanimadoras do que receber flores… É gay demais! Homem não pode dar flor pra homem! Tem que dar ingressos pro GP de Interlagos! Pra não dizer que só homens aprontaram essa comigo… Teve uma guria também. Ela foi mais esperta, mandou chocolate junto. Eu, que ainda nem tinha ficado com ela, dei um jeito de programar algo a dois no final de semana que se seguiu. [Sim gurias, atitude funciona, mas não com todos (alguns semi-neandertais não gostam de mulher tomando atitude)]. O problema é que eu já era o herói dela mesmo antes de descer do cavalo.

Depois das flores (ou do pôr-do-sol bonito), quando faz bastante tempo que você está saindo com a pessoa, mas faz pouco tempo que tem relações sexuais com ela, como fazer pra dizer que você não está gostando da relação sem parecer que você fez tudo somente pelo sexo? Dependendo do seu poder de persuasão você até pode conseguir, mas, apesar de todas as suas boas intenções, no final, não importa o que você fale ou pense, mesmo que apenas inconscientemente, tudo foi pelo sexo!





Coluna ‘Enfim, sós’ – O apagão divino

13 11 2009

apagãoPois é, amiguinhos voyeres, eu estava sumida… Mas a culpa, como sempre, é da ‘mardita’ rotina corrida que nem me deu trégua para agradecer propriamente o melhor presente de aniversário que eu ganhei em muito tempo…
 
Pra vocês terem uma ideia, foi necessário faltar luz em 70% do Brasil para eu conseguir ter uma noite de sono tranqüila… Ou quase isso. Já me ‘exprico’! Antes, momento ‘mela-cueca‘:

Um muuuuito obrigada para meu companheiro de destilaria de venenos por todo o carinho que ele tem me dado desde sempre. Tenho muita sorte por ter o Leo na minha vida, gente. Ele é a única pessoa capaz de me acordar antes do meio dia de domingo e me deixar de bom humor! Meu marido Ogro tem tentado há anos e nunca conseguiu essa proeza… Enfim, eu amo muito esse menino!

Agora que já falei o que estava entalado desde o dia 31, deixa contar do apagão que papai do céu mandou pra mim… Sim, gente! Tenho certeza que aquele ‘probleminha’ em Itaipu foi um presente divino.

Eu trabalho numa agência de comunicação e, ‘voltimeia’ aparecem jobs pra ontem que me obrigam a passar noites em claro para entregar no prazo. Não estou reclamando… Até porque meu chefe pode ler isso… Mas, apesar de amar o que eu faço da vida (viu chefinho?), às vezes nem com K.Y. eu agüento a trolha!

Enfim, estava eu em casa com a perspectiva de uma noite em claro pela frente, quando papai do céu, compadecido com minha situação, resolveu me dar uma folga. O problema é que ele pesou a mão, né?! Podia, pelo menos, ter dado uma aliviada no tempo antes de desligar a tomada do país… Êta calor dos infernos!

Brincadeiras à parte, é impressionante como a cidade ficou vulnerável. Sei que o apagão aconteceu quase que no país inteiro e também no Paraguai, mas o Rio de Janeiro ficou especialmente caótico. Foi meio triste ouvir no rádio os locutores pedindo pras pessoas permanecerem em casa porque a rua estava muito perigosa, com arrastões e roubos por toda parte. Sem falar na declaração de nosso digníssimo (not!) prefeito sobre ter acionado o BOPE para botar ordem na bagunça.

No meio da confusão toda, pelo menos muita gente manteve o bom humor na internet.  Mas a melhor, sem dúvidas, foi a declaração de um repórter do ABC paulista que contava a situação das ruas da região: “aqui está tão escuro que a Geise podia andar sossegada, ninguém da Uniban ia conseguir ver o tamanho do vestido dela”.

Seria cômico, não fosse trágico.





Ser ou não ser especial?

31 10 2009

TatiO post de hoje é um post “baba ovo”, “paga pau” e cheio de outras expressões que indicam que eu tô colocando alguém no pedestal mais alto. Mas… Para que ninguém fique achando que eu tô fugindo da minha função de viadinho do blog, vou tentar contextualizar…

Existe uma verdade universal que diz que todo gay precisa de uma melhor amiga. Fato! Gays que não têm uma melhor amiga são chatos e sem noção. É verdade que ao longo da nossa odisséia muitas gurias vêm e vão… Todas sempre muito importantes e com direito a um pedestal bem bonito e ornamentado. E a primeira delas, assim como nosso primeiro amor, não pode deixar de ter um destaque especial. Logo que eu descobri que preferir olhar para os guris ao invés de olhar para as gurias era algo de caráter irrevogável (já contei a história aqui) eu pensei que estaria tudo bem se eu nunca contasse a ninguém… Eu só não achei q seria tão difícil não contar a ninguém… Outra verdade universal é que nós todos precisamos de alguém pra ouvir nossas lamúrias. Consegui ficar dois anos sem falar sobre isso e nesse tempo eu conversava com uma guria que eu conheci de maneira inusitada e que era uma figurinha muito divertida. Eu já estava decidido de que se algum dia eu fosse contar a alguém sobre o meu “desvio” seria pra ela e, quando ela me disse que tinha um segredo bem sério pra me contar eu respondi a ela que eu também tinha um. Fizemos uma troca… Mas o segredo dela nem era tão sério assim… Ok, na época era… Não vou contar pra vocês porque eu prometi que nunca contaria a ninguém (sorry, é nosso acordo!). A reação dela foi melhor do que eu imaginava: “Não posso mentir pra você, não entendo muito sobre isso, mas prometo que vou fazer de tudo pra entender. Apenas lembre de que tudo que a gente faz e sente é da nossa natureza, então, relaxa. E eu sempre vou apoiar você.”

Depois disso eu não tinha mais dúvidas do quanto essa guria era especial pra mim. E ela realmente fez e faz diferença! Ela é aquele tipo de pessoa que quando coloca uma coisa na cabeça não sossega enquanto não vê tudo realizado, faz mil coisas ao mesmo tempo, ta sempre tendo idéias revolucionarias (e não tão revolucionárias assim), consegue ver o lado positivo de tudo, (mas gosta de dar ênfase ao lado negativo porque se ninguém reclamar as coisas nunca vão mudar), consegue fazer as pessoas rirem mesmo sem contar piada (algumas coisas só acontecem na vida dela!), tem muuuuita sorte (porque apesar de todo o talento pra arranjar cafajestes ela arrumou um marido honesto e trabalhador que, apesar de não lavar copos, se prontifica a fazer alguns serviços domésticos). Ela também é meio neurótica (a noite de domingo em que ela cismou que tava grávida…).E é Flamenguista… Mas não vamos prestar atenção em pequenos defeitinhos, né?

Eu sei, eu sei, estão todos querendo uma amiga assim, né? Eu sou bem ciumento e egoísta, por mim eu não dividiria ela com ninguém, mas hoje estou generoso, então, se quiserem conhece-la melhor, é só clicar aqui ou aqui (mas vou logo avisando que o amigo gay dela sou eu e não aceito concorrência!). E aproveitem pra desejar a ela um FELIZ ANIVERSÁRIO!





Ser ou não ser do interior?

20 10 2009

vacaPara a maioria das pessoas, morar no interior significa morar longe do litoral em uma cidade com 80 a 100 mil habitantes. Pra mim, morar no interior significa morar em uma cidade com 7 mil habitantes (e beeeem longe do litoral).

Existe uma lenda que diz que a vida no interior é mais sossegada, as pessoas são menos individualistas, menos estressadas e mais felizes. É verdade que em lugares assim você vai da sua casa até o seu trabalho em menos de 20 minutos, o transito não é nem um pouco complicado (quase não existe), você pode cumprimentar todas as pessoas que encontra na rua (porque todos conhecem todos) e pode ter uma vida bem tranquila e sossegada. Desde que você não fuja do padrão! E essa é a parte difícil pra qualquer pessoa que se atreve a pensar diferente (na realidade nem precisa tanto, só pensar e questionar já é suficiente). Cidades pequenas são lugares parados no tempo, altamente conservadores e resistentes a qualquer tipo de mudança. Se você quiser viver feliz em lugares assim você precisa pensar como a sociedade dos grandes centros urbanos pensava em 1943. Não pergunte, não duvide, obedeça, seja um exemplo de cidadão, siga todas as indicações, jamais diga que o governo militar não foi um bom governo (porque naquela época não existiam vadios) e, principalmente: não seja gay!

A verdade, entretanto, é um pouco diferente dos pressupostos positivistas que regem o comportamento dos interioranos. As mesmas mulheres que condenam a filha da vizinha por estar grávida e ser solteira, são as que levam homens para seus quartos enquanto seus maridos estão viajando. Os cidadãos de bem que não perdem uma missa no sábado à noite, saem da Igreja e correm pra disputar um dos dois travestis que trabalham na saída da cidade (afinal, se você come um viado, você não é gay, então isso pode). Isso entre diversas outras histórias que só quem vive no interior tem o privilégio de conhecer. E, acredite, mesmo que você não dê a mínima para o que os outros estão fazendo, você sempre saberá de tudo, porque o que menos falta em lugares desse tipo são aquelas solteironas de meia idade que passam o dia cuidado da vida alheia pra depois correr tomar um chimarrão na casa do vizinho mais próximo e contar tudo, detalhe por detalhe, do que acontece de pior na vila em que você vive.

Eu tentei, juro que tentei me adaptar ao modo de vida desse lugar. Também tentei não ser gay. Mas não consegui nem um nem outro. Mesmo que eu não fosse gay eu não me adaptaria… Não sigo as indicações (mas leio todas), sempre duvido de tudo e estou longe de ser um exemplo de cidadão. Mas acho que foi bom eu não conseguir me adaptar, pois esses lugares são capazes de nos corromper e podemos terminar acreditando que não somos capazes de nada e que devemos ser como todo mundo pra que sejamos respeitados.

Cheguei a acreditar que o problema fosse comigo, afinal, eu é que estava fora dos padrões e esse devia ser o motivo pra eu não conseguir fazer amizades aqui. Felizmente, antes de eu deixar de pensar e me tornar mais um cidadão comum de um lugar comum no meio do nada, conheci pessoas fora da bolha e percebi que eu não estava tão errado assim… Infelizmente, depois de tanto tempo no interior, tornar-se urbano pode ser um pouco difícil. E o grande problema é que no final, não importa o quanto você se esforce, você sempre será um pouco interiorano…





Coluna ‘Enfim, Sós’ – Rio 2016: eu queria?

16 10 2009

Rio2016Olá amiguinhos voyeres! Depois de mais uma semana sumida, estou de volta ao posto de Destiladora de Venenos, até porque desse osso eu não largo nem ‘podendo’.

Os motivos do sumiço são os de sempre: muito trabalho, pouco sono, nenhum dinheiro… Enfim, já que papai do céu não me fez assim, tenho que correr atrás do jeito tradicional, né mesmo?!

Bem, fiquei em dúvida sobre o que escrever nesse post até porque meu maridinho Ogro tem se comportado como um lord inglês desde minha recente convalescença. Essa semana, então, ele foi especialmente romântico porque comemoramos nosso aniversário de um ano de casamento. Portanto, estou sem histórias recentes pra contar.

Decidi, então, aproveitar para comentar aqui o último post do Leonardo sobre as Olimpíadas 2016, já que esse assunto gerou tanta controvérsia entre meus amigos.

Confesso que até minutos antes do resultado sair, eu não conseguia decidir se torcia ou não para o Rio ser escolhido sede. Não me levem a mal, é lógico que queria que a minha cidade recebesse todo aquele investimento, tinha até esperança do Rio ser a próxima Barcelona, que foi totalmente revitalizada e até hoje colhe frutos dos investimentos feitos durante as Olimpíadas de 1992. Mas ao mesmo tempo eu não podia deixar de ouvir o diabinho venenoso que soprava no meu ouvido me lembrando o que pode acontecer com todo aquele dinheiro: ta lá o elefante branco da Barra da Tijuca pra mostrar do que a prefeitura carioca é capaz.

De qualquer maneira, no dia da decisão eu lembro de me sentir um etezinho no meio dos meus colegas de trabalho que se apinhavam em frente à televisão torcendo pelo Rio com toda a convicção. Mas a sensação não durou muito tempo, bastou passar aquele vídeo lindo da nossa candidatura pro meu coração carioca falar mais forte e eu começar a torcer junto com a galera. Que eu podia fazer? Brasileira que sou não resisto a uma final verde amarela.

Quando aquele gringo esquisitão virou o cartãozinho e falou ‘Ruîo de Jãneiruo’ vibrei e pulei junto com todo o escritório, Paul Rabbit e Lulinha Maravilha. Quem diria! Euzinha defendendo a mesma causa de Eduardo Paes e Sérgio Cabral… Nunca digam nunca, amiguinhos.

Enfim, a moral da história é que estou feliz pelo Rio ter conquistado essa oportunidade e fiquei mais confiante ainda depois de ver as fotos do projeto de preparação da cidade. No papel está tudo muito bonito e é reconfortante saber que temos a Prefeitura, o Governo do Estado e a Presidência da República aliados para o mesmo fim. Só espero que até lá essa união dure,  até porque ainda temos 7 anos pela frente e um histórico centenário de promiscuidade política.

Boa sorte para nós cariocas… com certeza iremos precisar!





Ser ou não ser do país dos contrastes?

7 10 2009

rio_2016O Brasil realmente é um país estranho… Ou eu é que sou um brasileiro estranho… Acho que nenhum outro país seria capaz de, no mesmo dia, me fazer sentir vergonha e orgulho da minha terra.

A semana passada foi uma dessas semanas em que meus sentimentos patrióticos foram levados aos seus extremos (tanto negativos, quanto positivos). Primeiro foi com a prova do ENEM e o fiasco da falta de segurança para a estreia de um novo sistema de ingresso às universidades que promete substituir o vestibular. Mas, se de um lado minha indignação era total; de outro, eu pensei sobre como foi bom o fato vir a público e como o ministro da educação agiu de maneira rápida e correta pra evitar maiores danos. Algumas décadas atrás seria tudo abafado e, se algum jornalista metido a besta ameaçasse denunciar, certamente sofreria um acidente fatal… É claro que o mérito nessa história toda é dessa classe de profissionais chatos que vivem importunando todo mundo e que (apesar de ainda sofrerem com a censura) são grandes responsáveis por este país estar se tornando um lugar sério.

E quando minha vergonha de viver em um país que não consegue dar segurança adequada nem para o primeiro ato da grande revolução da educação estava quase desaparecendo, um tiozinho lá na Dinamarca abre um envelope e pronuncia, com aquele sotaque gringo super divertido: “Rio de Janeiro”. Como não me sentir orgulhoso por viver no país onde fica a Cidade Maravilhosa? Que o Rio de Janeiro merecia isso ninguém discute: praias, Cristo Redentor, Pão-de-açúcar e eu vou parar de listar esses pontos turísticos comuns porque com certeza há muitos outros lugares lindos nessa cidade. Meu carinho pelo Rio, contudo, é um pouco mais pessoal, gosto dessa cidade não pelas suas belezas naturais, mas por alguém de quem eu gosto muito que nasceu e vive lá e que me faz acreditar que o povo do Rio é assim, divertido, meio neurótico, bastante culto, um pouco estressado, bem-humorado, crítico, amigável e muito, muito especial. E pra mim o Rio é isso: a cidade da Tati. A cidade que vai representar o meu país em um evento mundial e que, com certeza, vai me encher de orgulho por ser brasileiro.

Entretanto… No país dos contrastes, os sentimentos contrastantes me fazem lembrar que com Copa do Mundo e Olimpíadas muita festa e muita grana vão rolar… A festa a gente fará (vamos beber até cair e prometemos não dirigir depois!), mas a grana, baseado no histórico dos fins que leva o dinheiro público, como ficará?





Ser ou não ser manipulado?

29 09 2009

no-limite2- Você ganhou 500 mil reais!!!

- É…

- Você é a grande vencedora!!!

- É…

- Aproveite, a festa é pra você!!!

- É…

 

Tirando alguns seriados, o único programa de TV que eu assistia era “No Limite”. Nunca fui muito fã das loiras e morenas peitudas gostosas acéfalas futuras capas da Playboy que colocam em Big Brother e similares, mas se tem um reality show que me seduz é o “No Limite”. Desde a primeira edição e das suas seqüências que não foram tão bem-sucedidas, sempre reservei uma fração do meu precioso tempo pra sentar na frente da TV e ver aquele povo sofrer em um lugar que todos chamam de paraíso. E esta última edição foi excelente! Zeca Camargo ganhou peso e deixou de ser aquele repórter lindo e cheio de outros adjetivos com conotação sexual que eu vou suprimir aqui, mas continua sendo o apresentador perfeito para o programa. Entretanto, o que realmente me divertia eram os “personagens” desta edição. O meu favorito eu elegi logo na segunda semana: Osmar. Além de ser do sul ele tinha um ar de cara sério e responsável que eu gostava. Mas o cara gostava de chorar, hein? Nem parecia homem! Mesmo assim foi pra ele a minha torcida até a reta final. Tinha também o Rafão, o cara pra quem força física era tudo. Sempre tentando tirar os menos dotados de massa muscular, conseguiu manipular bem o jogo até certo ponto, mas quem acompanhou o programa sabe que o maior lambão da equipe era ele… E o Marcelo? O gaúcho xucro pra quem a vida tem que ser dura e sem luxos. Ele me lembrava bastante os meus familiares do interior do Rio Grande do Sul que nunca perdem a chance de tirar com a minha cara por eu ter as mãos “macias e sem calos”. Conseguem fazer eu me sentir gay mesmo de boca fechada… E a Sandi? Outra gaúcha que roubou a cena! Adorei ela! Uma articuladora inteligente, fria e sem escrúpulos. Se ela for assim na sua profissão com certeza é a advogada que eu gostaria de ter!

Esses foram alguns dos que mais me chamaram a atenção, a maioria sempre é meio sem cor, mas, entre os participantes sem graça, uma que me surpreendeu foi a “grande vencedora”. Será que aquilo foi excesso de botóx? Alguém já viu algum tipo de expressão facial naquela mulher? E aquela letargia toda nas palavras e nos movimentos como se tivesse tomado “um quartinho de Lexotan”? E o “jogo de coitadismo”? (excelente colocação da Índia) Esse povo que parece inofensivo é sempre capaz de surpreender… E eu? Eu sou só mais um espectador sádico que é manipulado enquanto se diverte com o sofrimento dos outros…